Três fatores ameaçam atrasar a queda da taxa básica de juros do Brasil em 2027: um possível El Niño muito forte, o petróleo acima de US$ 100 o barril e a crise de dívida pública nos Estados Unidos e na Europa.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026 chegou a 95% no Brasil.

A agência americana NOAA projeta 97% de chance de o fenômeno persistir até o início de 2027.

O El Niño tende a encarecer alimentos de ciclo curto, como hortaliças, e dificultar a queda da inflação. Ao mesmo tempo, o petróleo segue perto de US$ 100 o barril, pressionado pela guerra no Irã, o que também alimenta a inflação de custos.

Para Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset e ex-secretário do Tesouro Nacional, o choque climático deve interromper os cortes de juros no início do ano, mas não detém a tendência de queda.

"Pode ser que pare no início do ano por causa do choque do El Niño. Mas, ainda assim, você tem uma queda de juros razoável contratada para o ano que vem", disse Funchal.

Segundo ele, a saída está na própria desaceleração da economia. Crédito mais fraco e menos estímulo fiscal em 2027 devem conter o crescimento, o que abre espaço para o Banco Central retomar os cortes.

Publicidade

"Não vai dar um solavanco na economia. Vai ter um crescimento baixo e, naturalmente, isso já é um impulsionador de queda de juros", afirmou o economista.

O que mais pesa na conta?

Além do clima, a crise fiscal de outros países entra na equação. Nos Estados Unidos e na Europa, déficits públicos elevados podem obrigar os bancos centrais a manter os juros altos para financiar a própria dívida.

Esse movimento tende a contaminar economias emergentes como o Brasil. A TV Sim Brasil já mostrou como o crédito de alto risco nos Estados Unidos já acende um alerta para o mercado, com reflexos no custo do dinheiro em todo o mundo.

A Selic brasileira está hoje em 13,75% ao ano, após o quinto corte seguido em 2026. A próxima decisão do Copom sai em 4 de novembro.

O que acontece agora

O Copom deve voltar a discutir o ritmo dos cortes à luz do comportamento do El Niño e do petróleo nas próximas semanas.

Episódios fortes do fenômeno já dividiram o país entre seca e chuva em excesso, como mostrou a divisão do Brasil entre chuva e calor na primavera.