Marília Campos (PT), eleita senadora por Minas Gerais com quase 4 milhões de votos, defendeu a renegociação da dívida do estado com a União e cobrou do Congresso uma política de segurança pública mais articulada, em entrevista à TV Integração.

Natural de Ouro Branco, Marília começou a militância no Triângulo Mineiro, no movimento estudantil. Fez carreira em Contagem, onde foi vereadora, prefeita por quatro mandatos e também deputada estadual.

Marília obteve 19,44% dos votos válidos, segundo o G1, quase quatro milhões de eleitores em Minas Gerais. Entre as prioridades para os 100 primeiros dias de mandato, ela destacou a dívida do estado com a União, que já ultrapassa R$ 187 bilhões.

A disputa pela segunda vaga mineira ao Senado teve 17 candidatos ao todo, mostra o histórico do pleito.

Marília defende ação além do acordo já firmado com a União.

Defendo que a gente tem que ter medidas adicionais ao Propag para que a gente possa discutir com o futuro presidente da República a redução do valor principal da dívida.

Questionada sobre os caminhos para a renegociação, ela rejeitou a ideia de perdão. "Minas não precisa de um perdão de dívida, precisa reivindicar compensação", disse, lembrando que o estado responde por 40% do superávit comercial do Brasil, como exportador de grãos e minério.

O Propag foi aprovado por unanimidade na Assembleia de Minas em 2025, com base em projeto do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG). O acordo prevê 30 anos para o refinanciamento da dívida.

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Nem todos avaliam o acordo como suficiente. O candidato a vice-governador derrotado Jarbas Soares (PSB) chegou a dizer que o Propag "não foi bom" para Minas Gerais.

No campo da segurança, Marília apontou a "desarticulação das políticas de segurança pública" como um dos principais problemas a resolver no Congresso.

Ela se refere à PEC da Segurança Pública, em discussão no Senado, que cria o Sistema Único de Segurança Pública e amplia a integração entre União, estados e municípios. A proposta também prevê regime penal mais rigoroso para integrantes de facções.

"Somente assim nós vamos garantir mais segurança pública nas nossas cidades", disse Marília, ao defender a aprovação da proposta no Congresso.

O que acontece agora

O Senado tenta retomar a votação da PEC da Segurança nesta semana. O texto está travado desde que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), o retirou da pauta por causa do impasse sobre a maioridade penal. A Câmara não tem sessão prevista.