O WhatsApp se tornou um dos principais palcos da campanha eleitoral de 2026 no Brasil, país com 147 milhões de usuários do aplicativo. Mensagens enviadas por parentes, amigos e colegas levam conteúdo político a grupos privados, fora do alcance dos perfis oficiais dos candidatos.
No Instagram ou no TikTok, o usuário sabe que está diante de conteúdo publicado por um perfil, influenciador ou veículo. No WhatsApp, a política aparece misturada à rotina de conversas de família, trabalho e amigos.
O fenômeno não depende de intenção política. Uma pessoa encaminha uma mensagem porque acredita que é verdadeira, acha que vai ajudar alguém a entender algo, ou porque ela confirma o que já pensava.
O especialista em ciências políticas e comunicação digital João Paulo Borges explica a diferença entre os canais. O eleitor desconfia da propaganda oficial, mas baixa a guarda diante de quem conhece.
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Quando essa mesma mensagem chega por um amigo, um parente ou um vizinho, o processo de avaliação muda totalmente. O eleitor não analisa apenas o texto ou o vídeo, ele leva em conta a confiança que já tem na pessoa que enviou.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe o disparo em massa de mensagens político-eleitorais em aplicativos como o WhatsApp nas eleições de 2026. Também veta a compra de bancos de dados e o uso de listas de contato obtidas sem consentimento.
Candidatos só podem enviar mensagem a quem autorizou previamente o recebimento. Quem descumprir a regra fica sujeito a multa e, em casos graves, à cassação da candidatura. A fiscalização cabe à Justiça Eleitoral.
A regra, porém, não alcança o compartilhamento espontâneo entre conhecidos.
O boca a boca digital já produziu boatos de grande alcance nesta eleição. Em setembro, um projeto de lei arquivado em 2007 virou a base de um boato compartilhado mais de 1 milhão de vezes.
Fake news só convence quando tem fundo de verdade, segundo o cientista político Alberto Carlos Almeida. É por isso que boatos políticos costumam partir de um fato real distorcido, não de uma mentira total.
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A desinformação também circula por outros canais digitais na campanha. Em setembro, a Meta aprovou 13 de 15 anúncios falsos com inteligência artificial sobre as eleições, submetidos por pesquisadores em um teste.
O que acontece agora
A fiscalização do TSE sobre propaganda irregular no WhatsApp segue até o fim da campanha. O 2º turno, que decide a Presidência entre Lula e Flávio Bolsonaro, é votado em 25 de outubro.
Iniciativas como a campanha educativa lançada pela Assembleia de Minas e o TRE-MG buscam ensinar o eleitor a checar antes de encaminhar.





























