Óculos equipados com câmeras e Inteligência Artificial estão dando mais autonomia a pessoas cegas ou com baixa visão em Araxá, no Alto Paranaíba (MG). Um projeto de empresários da cidade já doou os equipamentos a 16 pessoas nos últimos seis meses, segundo o g1.

Os óculos têm câmeras e alto-falantes na própria armação, além de microfones que permitem perguntas por voz. A Inteligência Artificial identifica objetos, textos e ambientes captados pela câmera e descreve tudo em áudio para quem usa.

Outras tecnologias assistivas seguem caminho parecido no Brasil. Um estudante brasileiro criou um aplicativo que traduz Libras em texto e áudio e ganhou prêmio internacional.

Ana Paula de Oliveira, de 35 anos, dona de casa, é uma das beneficiadas. Ela e a irmã gêmea, Ana Flávia, têm apenas 5% da visão.

Os óculos se tornaram meu melhor amigo. Me ajudam até a escolher a roupa que vou usar, e também uso para fazer ligações, conversar com meu namorado e em outros momentos do meu dia.

Cada equipamento custa, em média, R$ 3 mil, valor bancado por empresários que se juntam no instituto criado para a iniciativa. Um óculos importado com tecnologia parecida, o OrCam MyEye 2, custa cerca de R$ 14,9 mil no Brasil.

O idealizador é Wellington Martins, dono de uma escola técnica, que reúne parceiros para financiar a doação dos óculos. A ideia nasceu na década de 1980, quando ele tinha 13 anos e guiava pessoas cegas pela cidade.

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Décadas depois, ele criou o instituto que viabiliza as doações. Araxá já tinha outras iniciativas de inclusão digital. A cidade também distribuiu kits gratuitos de TV digital a moradores.

"Minha mãe também tem baixa visão", disse Martins, que viu na tecnologia uma forma de ampliar a independência de pessoas com deficiência.

Luiz Eduardo Machado, de 29 anos, também foi beneficiado. Ele está concluindo o curso técnico de contabilidade e diz que os óculos ajudam no aprendizado e na socialização. O caso reforça um debate maior sobre tecnologia e inclusão social nas cidades brasileiras.