A Ucrânia lançou na noite de sábado (17) um dos seus maiores ataques com drones contra a Rússia neste ano, atingindo o terminal petrolífero de São Petersburgo, que escoa até 12,5 milhões de toneladas de petróleo por ano, desafiando a exigência de Trump.

Segundo o Ministério da Defesa russo, a defesa aérea abateu 1.015 drones ucranianos entre a noite de sábado e a manhã deste domingo (18). A fabricante ucraniana dos drones, Fire Point, confirmou o incêndio causado no terminal.

Um centro logístico da varejista russa Ozon também foi atingido na cidade.

O Jornal da Band divulgou imagens do ataque ao terminal russo.

O governador de São Petersburgo, Alexander Beglov, disse que uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas no que chamou de ataque "massivo" com drones. Pela manhã, ele informou que os bombeiros ainda combatiam as chamas no terminal e em instalações industriais ao sul da cidade.

"Bombardeiam, nos bombardeiam; é a terrível rotina da guerra", disse à AFP a moradora Galina, de 58 anos. A amiga dela, Alexandra, de 50 anos, descreveu os bombardeios como assustadores, mas não inesperados, e disse que já esperava que isso acontecesse perto de casa.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse a veículos russos que "o regime de Kiev continua resistindo, mas isso não pode mudar o curso dos acontecimentos".

Em Kiev, autoridades ucranianas registraram 11 mortos e quase 50 feridos nas 24 horas anteriores à manhã de domingo, por ataques russos com mísseis e drones.

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O que muda no preço do combustível no Brasil?

O preço do combustível no Brasil sobe junto com o petróleo Brent, que passou de US$ 106,85 em 12 de outubro, alta de mais de 2% puxada pela escalada entre Rússia e Ucrânia neste fim de semana.

No Brasil, o subsídio de R$ 40 bilhões não segurou o preço na bomba nos meses anteriores, segundo balanço do próprio governo.

Os ataques ocorrem em meio à deterioração da relação entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o americano Donald Trump. Na semana passada, Trump chamou as investidas de Kiev contra refinarias russas de "uma vergonha".

Há uma semana, Trump disse que Rússia e Ucrânia haviam concordado em parar de atacar a infraestrutura energética uma da outra. Nem Kiev nem Moscou confirmaram esse acordo, e a Ucrânia retomou os ataques depois de uma pausa breve.

Não é a primeira vez que o mesmo terminal entra na mira ucraniana. Em junho, a instalação já havia sido alvo de um ataque semelhante, às vésperas de um evento econômico de Vladimir Putin.

A guerra já teve efeito direto sobre brasileiros. Em 13 de outubro, um ataque atingiu o prédio onde estavam voluntários do Brasil na Ucrânia.

O que acontece agora

Nenhum dos dois lados confirmou formalmente a trégua energética anunciada por Trump, e os ataques contra refinarias seguem dos dois lados. O mercado de petróleo segue reagindo à escalada entre Moscou e Kiev.

Antes deste ataque, o Brent já havia recuado a US$ 102, o que trouxe alívio temporário ao combustível no Brasil.

Trump também avalia banir a exportação de diesel americano, movimento que preocupa o Brasil. O país importa 80% do diesel que consome de refinarias dos Estados Unidos, segundo a Abicom.