A França amanheceu neste domingo (18) contabilizando os danos de uma das ondas de protesto mais violentas dos últimos anos. Os atos de sábado (17) contra o custo de vida deixaram 1 morto, mais de 500 policiais feridos e quase 1.800 detidos.
Segundo o Ministério do Interior, mais de 500 mil pessoas foram às ruas em dezenas de cidades. A CGT, principal central sindical do país, fala em 800 mil manifestantes. A morte, registrada em Paris, foi por ataque cardíaco.
Em Estrasburgo, um grupo mascarado invadiu a residência do representante do governo local. O prefeito Thomas Cazenave relatou cerca de 100 lojas saqueadas.
Em Limoges, a prefeitura, prédio histórico de 143 anos, foi parcialmente destruída por um incêndio criminoso, iniciado depois que um carro da polícia municipal foi incendiado em frente ao edifício.
"Não há espaço para violência em nossa república", disse o presidente Emmanuel Macron, prometendo que quem atacar prefeituras e estabelecimentos comerciais será processado e punido.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu diferenciou os manifestantes pacíficos dos responsáveis pelos incêndios e saques. "As manifestações pacíficas têm lugar na democracia, mas incêndios e pilhagens não têm qualquer relação com isso", disse.
Do outro lado, a líder da CGT, Sophie Binet, disse que a mobilização sindical vai continuar. "Continuaremos mobilizados enquanto não houver uma resposta adequada. O orçamento será decidido nas ruas", afirmou.
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Por que a França tem pouca margem para responder?
A resposta do governo esbarra num problema fiscal profundo. A dívida pública francesa deve chegar a 119,3% do PIB em 2026, o maior nível desde 1978, segundo o instituto de estatística INSEE.
Para conter o déficit, Lecornu propôs um pacote de 54 bilhões de euros em cortes no orçamento de 2027, que precisa passar por um Parlamento fragmentado.
A TV Sim Brasil já mostrou que a França se aproxima de uma crise da dívida que acende alerta global. O quadro fiscal é parte do que limita a margem de negociação do governo com os manifestantes.
O movimento também cresceu em tamanho desde o início de outubro. Os protestos reuniram até 450 mil pessoas nas ruas em 6 de outubro, antes de baterem nos atuais 500 mil a 800 mil.
O que acontece agora
A CGT já marcou um novo dia de mobilização e greve para 5 de novembro, enquanto o governo tenta aprovar os cortes no orçamento num Parlamento dividido.
O movimento também extrapolou as fronteiras francesas. Protestos contra o custo de vida saíram da França e chegaram a outros 4 países.
O ponto em aberto
A França tenta cortar 54 bilhões de euros de um orçamento sob a maior dívida em quase 50 anos, sem aprofundar a revolta nas ruas.
O protesto já marcado para 5 de novembro deve testar se o governo consegue negociar uma saída ou se o país caminha para uma repetição ampliada dos Coletes Amarelos de 2018.





























