Dois navios foram atingidos por drones no Mar Negro nesta terça-feira (13), perto da costa da Bulgária, e um deles afundou. É o terceiro ataque do tipo contra embarcações comerciais na região em pouco mais de uma semana, segundo autoridades búlgaras.

O navio Chelsea 3, de propriedade ucraniana e bandeira de Malta, foi atingido por três drones a cerca de 33 km da costa búlgara. Os 15 tripulantes, sete ucranianos e oito azerbaijanos, foram resgatados.

Um padrão de ataques que se repete

O episódio de hoje não é isolado. Em 5 de outubro, um navio turco carregando milho pegou fogo e afundou perto da Romênia, deixando 2 mortos e 11 resgatados.

No dia seguinte, 6 de outubro, outro navio, de bandeira do Togo, afundou, enquanto uma balsa búlgara evacuou os 18 tripulantes de uma terceira embarcação, de bandeira de Palau.

Da embarcação que afundou nesta terça, o primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, informou apenas que um tripulante foi resgatado, sem dar detalhes sobre os demais ocupantes.

A lógica, como já afirmei, indica que o resultado favorece a Federação Russa.

A frase é de Radev, que reconheceu não haver evidências claras sobre quem executou os ataques. Ele disse que vai convocar a embaixadora russa, Eleonora Mitrofanova, e que conversará com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.

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O que os envolvidos dizem

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, atribuiu diretamente a responsabilidade à Rússia. Segundo ele, o ataque "demonstra mais uma vez o desprezo deliberado de Moscou pelas vidas civis e pela segurança marítima no Mar Negro".

Para Sybiha, a rota é usada como arma: "O Mar Negro é uma linha vital para a segurança alimentar global. A Rússia o está atacando para usar a fome como arma e manter o mundo como refém."

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou o Mar Negro como "mais uma frente de escalada" da guerra. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que a aliança vai ajustar sua postura na região "conforme necessário".

O ataque ocorre dois dias depois de os Estados Unidos anunciarem uma trégua energética entre Rússia e Ucrânia.

A Bulgária não faz fronteira com Rússia nem com Ucrânia, mas ocupa posição estratégica no Mar Negro, onde os dois países têm portos importantes para exportação de grãos. Ataques repetidos à navegação civil têm efeito direto sobre o comércio agrícola global.

A guerra no Mar Negro já reduziu a oferta de grãos ucranianos e abriu espaço para exportações brasileiras ocuparem parte da lacuna. Em agosto, a instabilidade na região levou o preço do trigo ao maior patamar em três anos.

O ponto em aberto

Nenhum governo apresentou até agora prova pública de autoria dos três ataques.

A pergunta estrutural que fica é se a Otan vai conseguir proteger rotas civis que já tiveram três embarcações atingidas em oito dias, ou se o padrão de ataques vai continuar enquanto durar a guerra na Ucrânia.