O Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) estimou nesta quinta-feira (24) que a Ucrânia pode perder até US$ 5 bilhões em exportações por causa dos ataques no Mar Negro. A queda abre espaço para o Brasil vender mais grãos ao mercado internacional.
Segundo a economista-chefe do BERD, Beata Javorcik, a perda soma entre US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões só em grãos, mais US$ 1,5 bilhão em minérios metálicos. O total equivale a cerca de 2,5% do PIB anual ucraniano.
O banco atribui a queda aos ataques a navios e portos no Mar Negro, que elevaram as tensões comerciais na região. As exportações ucranianas de grãos recuaram aos níveis registrados em abril de 2022, no início da guerra.
Uma nova proposta de trégua no Mar Negro foi discutida nesta semana, mas ainda não interrompeu os ataques.
Baixos níveis de água no rio Danúbio e danos à malha ferroviária encareceram as rotas alternativas de escoamento. O relatório também revisou a projeção de crescimento da economia ucraniana em 2026, de 2,2% para 1,5%, e a de 2027, de 4% para 2,2%.
Em 2025, o país havia crescido 1,8%. Desde o início da guerra, em 2022, o BERD já mobilizou 10,8 bilhões de euros em apoio à Ucrânia.
Por que o Brasil pode ganhar com a crise ucraniana?
O Brasil pode ganhar mercado porque a StoneX, consultoria do setor, avalia que a escalada do conflito no Mar Negro deve aumentar o apetite comprador por milho brasileiro até o fim do ano, compensando o ritmo mais fraco dos embarques em agosto.
A safra brasileira ajuda a sustentar essa aposta: a colheita do milho safrinha já soma 98,7% da área prevista, segundo a Conab, e deixa o país com volume disponível para atender compradores que hoje dependem da Ucrânia.
No mesmo período, o Brasil também bateu recorde nas exportações de soja. O país embarcou 16,1 milhões de toneladas em abril, e o acumulado do primeiro quadrimestre somou 43,2 milhões de toneladas, ante 40,1 milhões de toneladas no mesmo intervalo de 2025.
A StoneX projeta exportação de 115 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27.
A crise no Mar Negro empurra parte da demanda global para os portos brasileiros, justamente na safra que bate recordes.
O trigo segue a mesma lógica. A Rússia retomou vendas do cereal ao Brasil neste ano, mas os ataques no Mar Negro pressionam os embarques e levaram o trigo ao maior preço em três anos em Chicago.
O que acontece agora
O BERD deve atualizar a estimativa de perdas se os ataques a portos e embarcações no Mar Negro continuarem nas próximas semanas. No Brasil, o foco agora é o ritmo dos embarques de milho no último trimestre do ano, decisivo para a safra 2026/27.





























