Os Estados Unidos negociam a compra direta de diesel russo para reaproximar a Rússia da mesa de paz na Ucrânia, diz a Reuters. O acordo, defendido por Trump nesta segunda (12), mexe no Brasil: o país importa 25% a 30% do diesel que consome.
Os enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, disseram a autoridades ucranianas, em reunião em Miami na sexta-feira (9), que o presidente russo, Vladimir Putin, não está disposto a negociar o fim da guerra.
A guerra já dura quatro anos e meio. Segundo três pessoas a par do encontro ouvidas pela Reuters, o entendimento sobre o diesel poderia ajudar a retomar as negociações trilaterais entre Washington, Moscou e Kiev.
Pelo acordo, a Rússia vai fornecer mais de 2,25 milhões de barris de diesel aos mercados dos EUA e global. Uma fonte disse à Reuters que o movimento sinaliza que Trump está aberto a agir com a Rússia, para amenizar a posição do Kremlin.
Legisladores americanos criticaram o entendimento. Eles argumentam que o negócio injeta recursos financeiros em Moscou sem exigir concessões de Putin. O tema também é sensível para o Partido Republicano antes das eleições de meio de mandato que definem o controle do Congresso.
Segundo Kushner, Trump também pediu que a Ucrânia pare de atacar refinarias russas, repetindo um pedido já feito antes.
Trump defendeu publicamente o acordo nesta segunda-feira (12), classificando-o como "a escolha certa para o povo americano". Ele afirma que a medida vai reduzir os preços de energia nos Estados Unidos.
O presidente americano alega que os ataques ucranianos elevam os preços globais de combustíveis, embora a maioria dos especialistas ouvidos pela Reuters aponte a guerra no Irã como o principal fator.
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O que muda no preço do diesel no Brasil?
O preço do diesel no Brasil tende a cair se a oferta extra de diesel russo se confirmar, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Quem sente esse efeito primeiro é o motorista que abastece o tanque no posto.
Entre uma declaração e um fato há uma distância que às vezes pode ser grande.
A frase é do presidente da entidade, Sergio Araujo, que pediu cautela até os carregamentos russos chegarem ao mercado. "Quando a oferta sobe e a demanda permanece igual, a tendência é os preços caírem", resume Araujo.
A posição russa nas compras brasileiras oscilou bastante neste ano. Entre março e abril, a Rússia respondeu por 81,25% das importações brasileiras de diesel, chegando a 89,84% em abril.
Em setembro, a situação já tinha se invertido: cerca de 80% do diesel importado pelo Brasil vinha dos Estados Unidos, depois de o diesel subir 7% em um mês e chegar a R$ 7,35 por aqui.
O novo entendimento entre Washington e Moscou prevê volumes crescentes de diesel russo.
São 300 mil toneladas de forma imediata, 500 mil em novembro e 1 milhão depois, segundo Trump, podendo somar mais 3 milhões de toneladas adicionais.
A autorização, batizada de General License 135, foi anunciada após uma chamada entre Trump e Putin em 9 de outubro e vale até 7 de abril de 2027.
O que acontece agora
O próximo passo é a confirmação dos primeiros carregamentos russos, que a Abicom aponta como o sinal real de que a oferta vai mesmo aumentar. A licença segue valendo até abril de 2027, prazo em que os dois países podem rever o entendimento.
O caso é um novo capítulo na disputa pelo diesel que já mudou o mercado brasileiro neste ano: a oferta russa chegou a dominar as importações brasileiras no início de 2026.
Em setembro, a situação já era outra: o Brasil já comprava 80% do diesel dos Estados Unidos, antes mesmo do novo acordo entre Washington e Moscou.





























