A Fórmula 1 confirmou nesta terça-feira (13) um acordo de dez anos com Ruanda para sediar o Grande Prêmio da África a partir do início da próxima década. É o retorno da categoria ao continente africano, que não recebe uma etapa do Mundial desde 1993.
O anúncio foi feito em Kigali, capital de Ruanda, com a presença do presidente do país, Paul Kagame, e do presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem. A estreia da prova deve ocorrer em 2030 ou 2031, a depender do cronograma das obras.
Hoje é um momento histórico para a Fórmula 1. Com a entrada de Ruanda no calendário na próxima década, nosso esporte estará presente em todos os continentes.
A frase é do presidente e CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali. Segundo ele, a categoria sempre considerou a África parte do seu futuro, mas queria voltar "da forma certa, com o parceiro certo" e um compromisso de longo prazo.
O circuito e o traçado
O acordo prevê a construção de um circuito permanente em Bugesera, cerca de 40 km de Kigali, perto do novo aeroporto internacional do país.
O projeto é assinado pelo ex-piloto de F1 Alex Wurz, em parceria com o escritório do engenheiro Hermann Tilke, responsável por diversos autódromos usados atualmente pela categoria.
A última corrida da F1 no continente africano foi o GP da África do Sul de 1993, em Kyalami, vencido pelo francês Alain Prost.
A África do Sul recebeu etapas do Mundial entre 1962 e 1993. A categoria já avaliou projetos de retorno por lá e em Marrocos, sem sucesso até agora.
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A crítica ao acordo
Nem todo mundo recebeu bem o anúncio. A República Democrática do Congo (RDC) pediu publicamente a Domenicali que não desse seguimento às negociações com Ruanda, em meio ao conflito armado no leste do território congolês.
A chanceler da RDC, Thérèse Kayikwamba Wagner, chamou Kagame de "autocrata imperialista". Ela atribuiu ao apoio do Exército de Ruanda ao grupo rebelde M23 o deslocamento de mais de 700 mil pessoas e mais de 3 mil mortes no leste do Congo.
A ONU registrou cerca de 2.900 mortos em confrontos recentes na região de Goma.
Ruanda nega apoiar o M23 e afirma agir apenas para defender sua fronteira. Críticos classificam o acordo com a F1 como uma tentativa de usar o esporte para desviar atenção do histórico de direitos humanos do país.
O que acontece agora
O calendário final da temporada de estreia do GP da África ainda depende da conclusão das obras do circuito em Bugesera.
A F1 já havia promovido outros retornos recentes de traçados ao calendário, como o retorno a Sepang após 9 anos neste ano. Para 2027, a categoria já confirmou provas sprint em Mônaco e no GP do Brasil, em Interlagos.































