O skatista brasileiro Bob Burnquist, maior medalhista da história do X Games, afirmou em entrevista exclusiva à CNN Brasil que o esporte "cresceu muito" desde que passou a integrar o programa olímpico, em Tóquio 2020, com mais pistas e investimento público ao redor do mundo.

Burnquist soma 30 medalhas no X Games (14 ouros, 8 pratas e 8 bronzes), conquistadas entre 1995 e 2015. Também foi dez vezes campeão mundial de skate.

Nascido no Rio de Janeiro em 1976, é considerado uma das maiores referências da história do esporte no Brasil.

O crescimento trouxe pistas, indústria, redes sociais e investimento público por causa dos grandes eventos. No Japão, já havia skatistas antes das Olimpíadas, mas o nível técnico e a infraestrutura subiram depois dos ciclos olímpicos de investimento.

Segundo o skatista, o fenômeno não ficou restrito ao Japão. "A cena chinesa de base é mais recente e cresceu muito com o ciclo olímpico", completou Burnquist, citando o investimento que os Jogos Olímpicos atraem para países que sediam ou disputam as competições.

O efeito no Brasil

Na estreia do skate no programa olímpico, o Brasil conquistou três medalhas de prata em Tóquio 2020. Rayssa Leal e Kelvin Hoefler subiram ao pódio no street, e Pedro Barros, no park.

Rayssa tinha 13 anos na ocasião e se tornou a mais jovem medalhista olímpica da história do país. O ciclo de investimento que se seguiu ajuda a explicar por que o Brasil segue formando atletas de ponta na modalidade.

Só nesta semana, o país levou três representantes à final do Mundial de Skate Park, entre eles Raicca Ventura, que busca o bicampeonato na competição.

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Burnquist também falou sobre o impacto social do esporte fora das competições. Para ele, um jovem pode começar praticando skate sonhando com a Olimpíada e descobrir que a modalidade é muito mais do que uma atividade esportiva.

"O moleque pode começar sonhando com a Olimpíada e descobrir que é um lifestyle. Há relatos públicos de skatistas em Gaza andando em meio a escombros, a mesma resiliência que a gente reconhece na cultura do skate em lugares difíceis", completou Burnquist.

A fala resume a visão do skatista sobre a modalidade: mais do que um esporte olímpico, uma cultura que resiste mesmo fora das pistas oficiais.