Um ataque russo à cidade de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia, matou ao menos 17 pessoas neste sábado (10), incluindo três crianças. O bombardeio aconteceu um dia depois de Trump anunciar o acordo com a Rússia para suspender sanções ao diesel.
Entre as vítimas estava uma menina de 6 anos, morta quando o ataque reduziu parte de um prédio de apartamentos a escombros. Outras 18 pessoas ficaram feridas na cidade industrial, cujos arredores ficam a menos de 30 km da linha de frente.
"Hoje, a Rússia agradeceu pela suspensão das sanções às exportações de diesel lançando cinco bombas planadoras contra prédios residenciais em Zaporizhzhia", disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em uma das críticas mais duras que já fez à Casa Branca.
O padrão por trás do ataque
Zaporizhzhia não foi um caso isolado nesta semana. Pelo menos 80 civis morreram em ataques russos na quarta (7) e na quinta-feira (8).
Entre eles, 30 mortos por uma bomba em Kramatorsk, no leste, e outros 22 atingidos por um míssil em Pryluky, a cerca de 130 km de Kiev. Foi o terceiro ataque com muitas vítimas na Ucrânia em menos de uma semana.
A Rússia já vinha mudando de estratégia nas últimas semanas, mirando infraestrutura e indústria ucraniana, não só o avanço territorial.
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Isso ajuda a explicar ataques a cidades distantes da linha de frente, mas industrialmente relevantes, como Zaporizhzhia. Em vez de cobrar a Rússia pelo momento do ataque, Trump reagiu pressionando o lado ucraniano.
"Sugiro que eles busquem um novo líder capaz de chegar a um acordo" com a Rússia, disse Trump, condenando os ataques ucranianos a refinarias russas que ele já vinha cobrando há semanas.
O enviado especial do Kremlin para cooperação econômica, Kirill Dmitriev, saudou a fala de Trump: "O presidente Trump junta-se aos muitos atores que acreditam que a Ucrânia precisa de uma liderança voltada para a paz, e não da política belicista de Zelensky".
Zelensky já havia chamado o acordo do diesel entre Trump e Putin de "decisão fraca" dos Estados Unidos e uma oportunidade lucrativa para a Rússia "reabastecer seus cofres e financiar sua guerra". Depois do ataque, reforçou a crítica: "A paz nunca vem da fraqueza".
O que acontece agora
Segundo Washington e Moscou, a Rússia deve fornecer 300 mil toneladas de diesel a partir de outubro para os EUA e o mercado mundial, chegando a 1 milhão de toneladas em dezembro.
O anúncio pegou negociadores ucranianos e americanos de surpresa, no meio de conversas em Miami sobre o fim da guerra, e deixou incerto se elas vão continuar.
O ponto em aberto
O acordo nasceu para conter o preço dos combustíveis nos EUA, que dispararam desde a guerra contra o Irã, a menos de um mês das eleições de meio de mandato americanas.
A pergunta que fica é se Washington vai tratar o ataque de sábado como um custo aceitável dessa equação, ou se o episódio muda o cálculo político por trás do acordo com Moscou.





























