Dante, de 3 anos, escolheu uma sapatilha cor-de-rosa da personagem Skye, de 'Patrulha Canina', e dança balé em casa com a mãe. Famílias como a dele vêm desafiando estereótipos de gênero nas brincadeiras dos filhos, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

Ao ver o modelo rosa, o menino questionou se existia menino bailarino. A mãe, a professora Ana Elisa Maia, 25, respondeu que sim e mostrou vídeos de bailarinos homens para ampliar as referências dele.

Um relatório da Unicef sobre gênero e violência mostra que os estereótipos começam na primeira infância. Meninas são mais estimuladas a brincar de boneca e casinha; meninos recebem mensagens que os afastam das próprias emoções, como a ideia de que não devem chorar.

Bola, carrinho e brincadeiras de ação, segundo o documento, reforçam força e agressividade.

A psicóloga Lu Farcetta sugere questionar por que uma brincadeira seria 'inadequada' para uma criança e inverter o gênero imaginado na situação. É uma forma, segundo ela, de romper padrões naturalizados sobre gostos de meninos e meninas.

"Até hoje sou péssima em matemática e acho que isso tem muito a ver com não ter brincado com jogos que estimulam raciocínio lógico."

A frase é da jornalista Raquel Reis, 39, que na infância brincava de boneca enquanto o irmão jogava videogame.

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Hoje mãe de Olivia, 5, Reis decidiu deixar a filha livre para escolher como brincar. A menina tem o rosa como cor preferida, mas prefere fantasias do Homem-Aranha e do Super Mario às de princesa, e coleciona pelúcias do Pokémon.

O rosa nem sempre foi associado às meninas. Reportagens da TV Sim Brasil já mostraram como a cor foi considerada masculina até meados do século 20, antes da inversão que moldou o estereótipo atual.

Marina, 12, nunca se interessou por bonecas ou maquiagem. Quando mais nova, brincava com carrinho e jogava bola. O pai, o metalúrgico Éder Guilherme Martellini, 42, diz que nunca restringiu as brincadeiras da filha.

A diversidade de estímulos na infância importa além do gênero: ler e contar histórias na primeira infância também muda a estrutura do cérebro, segundo outra reportagem da TV Sim Brasil.

Ampliar as possibilidades de experimentação das crianças, sem restringi-las a rótulos de gênero, é benéfico para o desenvolvimento infantil, segundo a reportagem. O debate aparece também em outro texto da TV Sim sobre o que significa ser mulher na sociedade contemporânea.