A contabilidade se tornou porta de entrada para cargos de liderança no Brasil. Pedro Augusto Melo, contador com mais de 40 anos de auditoria independente, diz que cada vez mais executivos buscam entender de números antes de assumir uma cadeira de conselho de administração.
"Fui convidado para uma cadeira muito alta, preciso entender da contabilidade, preciso entender dos números."
É a frase que Melo, hoje membro de conselhos de administração e comitês de auditoria de empresas de capital aberto, mais ouve de profissionais que miram o C-Level.
Melo foi CEO da KPMG Brasil, auditoria que a TV Sim já cobriu em reportagens sobre o mercado brasileiro, e também foi diretor-geral do IBGC, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.
O investidor Warren Buffett costuma dizer que a contabilidade é "a linguagem dos negócios", e é essa lógica que move o mercado de trabalho.
Melo já usou a mesma metáfora para explicar a profissão a um grupo de crianças de 7 anos.
"De um lado tem alguém com uma ideia. Do outro, um investidor que quer fazer essa ideia florescer. Para essas duas pessoas se comunicarem, precisa ter uma informação confiável. O contador é o construtor dessa confiança."
A entrada no mundo contábil nem sempre passa pela graduação em Contabilidade. Advogados, engenheiros, administradores e economistas estão entre as principais formações dos alunos de MBA e pós-graduação na Fipecafi, fundação de pesquisas contábeis da USP.
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O caminho aparece também em outro levantamento sobre as profissões mais bem pagas do Brasil.
"Temos cursos de graduação para graduados com turmas em que 95% dos alunos são advogados", afirma Welington Rocha, diretor-presidente da Fipecafi. Ele relata também a presença de muitos engenheiros que trabalham em instituições financeiras e buscam complementar a formação.
Rocha chama a mudança na profissão de "Santíssima Trindade da Contabilidade", que reúne mensuração, informação e tomada de decisão. O contador deixa de ser só o calculador de valores para apoiar a tomada de decisão, o que abre caminho a cargos C-Level.
Na prática, isso significa trabalhar menos para o governo, preenchendo obrigações tributárias, e mais para agregar valor à própria empresa. A tendência acompanha a transformação dos cargos de liderança nas empresas até 2035, mapeada em outra reportagem da TV Sim Brasil.
Guy Almeida Andrade, contador com mais de 50 anos de atuação em auditoria independente, é outro nome que soma assento em conselhos e comitês de empresas, no mesmo caminho trilhado por Melo.





























