O Dia das Crianças, comemorado nesta segunda-feira (12), não nasceu ligado a Nossa Senhora Aparecida. A data foi oficializada em 1924, pelo Decreto nº 4.867, e remete à chegada de Cristóvão Colombo à América, e não à padroeira do Brasil, celebrada no mesmo dia.
O deputado federal Galdino do Valle Filho propôs a data em 1922, durante o 1º Congresso Brasileiro de Proteção à Infância, no centenário da Independência. O decreto veio dois anos depois, assinado pelo presidente Arthur Bernardes.
Era uma época em que crianças pobres não frequentavam escola, trabalhavam e podiam ser detidas por vadiagem. Esse cenário motivou a criação de uma data de proteção à infância.
O tema ainda gera números: o governo removeu 4,3 mil crianças do trabalho infantil em 2025, o maior índice da década.
A data ficou quase esquecida por quase quatro décadas.
Só a partir de 1960 a Johnson & Johnson e a fábrica de brinquedos Estrela se associaram para lançar a promoção "Semana do Bebê Robusto".
Foi essa campanha que deu à data o caráter comercial, hoje avaliado em R$ 9,27 bilhões em vendas no varejo.
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Brinquedos sozinhos respondem por 39% do total, R$ 3,62 bilhões, segundo estimativa da CNC (Confederação Nacional do Comércio).
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil desde 1930 por decisão do papa Pio XI, tem origem totalmente separada. A coincidência de datas é só isso, coincidência, embora o feriado religioso hoje também vire palco de disputa no 2º turno das eleições.
O ponto em aberto
A data nasceu para proteger crianças pobres do trabalho infantil. O decreto de 1924 falava em infância vulnerável; a campanha de 1960 vendeu consumo. Hoje, o indicador mais citado da data é o faturamento do varejo, não a proteção que a originou.





























