Um petroleiro explodiu e pegou fogo neste sábado (10) após atingir uma mina naval no Estreito de Ormuz, segundo a Guarda Revolucionária do Irã. A imprensa estatal iraniana divulgou a informação. Os militares não revelaram o nome, a bandeira ou a origem da embarcação.

Também não deram detalhes sobre vítimas ou a extensão dos danos. Segundo a Guarda Revolucionária, o navio seguia por uma rota não autorizada do estreito, com a navegação desligada, quando atingiu o artefato. Não há confirmação independente das circunstâncias da explosão até o momento.

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) contesta a versão iraniana de ataques com minas navais na região. Em nota, classificou o episódio como "mais uma tentativa da Guarda Revolucionária de intimidar a navegação comercial regional através de desinformação", segundo divulgado pela imprensa americana.

O comando afirma ter limpado as minas das principais rotas e reaberto o estreito. Diz ainda que 20 milhões de barris de petróleo já transitaram pela via desde a limpeza, rejeitando a tese de bloqueio.

O episódio ocorre em meio à escalada de ataques contra navios comerciais na região, foco de tensão desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro.

O Irã nega ter perdido o controle do Estreito de Ormuz, como alegou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na semana passada.

Levantamento da Reuters publicado na quarta-feira (7) mostrou que os ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz atingiram o maior número semanal desde o início do conflito: ao menos 12 incidentes entre 28 de setembro e 5 de outubro, segundo fontes de segurança marítima.

A Organização Marítima Internacional, agência da ONU, contabilizou 9 ocorrências no mesmo período. Na terça-feira (6), o Ministério das Relações Exteriores da Índia informou que 12 tripulantes ficaram feridos após um projétil atingir o petroleiro "On Peace", de bandeira panamenha, durante a passagem pelo estreito.

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Neste sábado, a Guarda Nacional dos Emirados Árabes Unidos informou ter resgatado 22 tripulantes de outro petroleiro que pegou fogo no Golfo Pérsico, segundo a Associated Press. Os marinheiros receberam primeiros socorros e estavam em condição estável.

As autoridades não confirmaram relação com o caso relatado pelo Irã.

Como a crise em Ormuz chega ao bolso do brasileiro

A escalada no estreito pressiona o Brent, que superou os US$ 102 por barril no início de outubro, com a agência de energia dos EUA projetando média de US$ 105 para o 4º trimestre diante das restrições no Oriente Médio.

Como o Brasil é exportador líquido de petróleo, o país tende a ganhar receita federal com a alta internacional.

A Petrobras enfrenta o lado oposto da equação: reajustar o preço interno pressiona a inflação, segurá-lo pressiona a estatal. A guerra já pressiona a gasolina no Brasil desde que completou sete meses, no início deste mês.

Em março, a então presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já havia atribuído um reajuste do diesel à guerra no Oriente Médio, que travou Ormuz e pressionou o diesel importado.

Um pacote do governo federal, zerando PIS/Cofins na importação do diesel, reduziu o impacto ao consumidor de R$ 0,70 para R$ 0,06 por litro naquela ocasião.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pediu cautela antes de qualquer nova decisão sobre política de preços de combustíveis, enquanto a Petrobras diz trabalhar para reduzir a transmissão imediata da alta aos consumidores.

O que acontece agora

O CENTCOM mantém a posição de que o estreito está operacional e nega qualquer bloqueio. A Guarda Revolucionária do Irã já ameaçou atingir embarcações além de Ormuz, segundo a Euronews.

Sem confirmação independente do episódio desta manhã, o próximo marco é se alguma agência ocidental ou seguradora marítima vai identificar o navio atingido e sua bandeira.