O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) revisou quase 100 milhões de registros eleitorais e abriu 418 casos de suspeita de fraude ao investigar não cidadãos registrados para votar, segundo documentos obtidos pela Democracy Forward e divulgados nesta quarta-feira (7).
Os documentos foram obtidos por pedido de transparência (FOIA) e revelados primeiro pela CNN. Segundo o material, a Investigação de Segurança Interna (HSI), divisão do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA), processou 50,6 milhões de registros do Departamento de Justiça.
Outros 48,4 milhões vieram de "fontes independentes" reunidas por Heather Honey, assessora sênior do secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin. O documento não diz se os dois conjuntos têm pessoas distintas ou se há sobreposição entre eles.
Quem entrou na mira da investigação
A varredura priorizou cinco estados americanos (Nova Jersey, Michigan, Pensilvânia, Minnesota e Ohio) e examinou dezenas de organizações de registro de eleitores. Em Nova Jersey, mais de 40 entidades foram checadas.
A própria HSI admitiu, em um dos documentos, não ter encontrado "nenhuma informação depreciativa" contra a maioria delas. Mesmo assim, chegou a cogitar enviar agentes disfarçados a grupos suspeitos de ajudar não cidadãos a se registrar.
O DHS afirma ter identificado cerca de 250 mil pessoas sem cidadania registradas para votar em quatro estados, número que embasou boa parte da ofensiva.
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Nova Jersey é também o estado com uma das maiores comunidades brasileiras dos Estados Unidos, quase 30 mil pessoas, a maioria no bairro Ironbound, em Newark, onde o português é ouvido no comércio local.
Até maio, a apuração havia resultado em 64 prisões administrativas, enquanto 318 casos não foram encaminhados para acusação por falta de elementos.
Um dos pontos mais sensíveis dos documentos é a orientação jurídica interna do ICE sobre quando um voto irregular vira motivo de deportação. O memorando citado na reportagem dispensa prova de que o imigrante soubesse que votava ilegalmente, e também não exige condenação criminal.
A CEO da Democracy Forward, Skye Perryman, criticou publicamente o alcance da operação.
"Parece que o presidente e seus aliados querem escolher os próprios eleitores, ao contrário de como as coisas deveriam funcionar numa democracia, em que são os eleitores que escolhem os líderes", disse Perryman.
Um porta-voz do DHS rebateu as críticas, afirmando que o órgão "tem sido extremamente transparente" sobre a análise de arquivos eleitorais públicos feita pela Diretoria de Detecção de Fraude do serviço de imigração (USCIS).
O que acontece agora
A HSI afirmou que os registros seguem sendo analisados para gerar novos alvos, e a lista de estados sob escrutínio pode crescer. A checagem de eleitores dos EUA já errou em até 81% dos casos em levantamentos anteriores.
A ofensiva ocorre enquanto o ICE amplia a fiscalização sobre imigrantes, incluindo brasileiros. Na semana passada, os EUA deportaram 46 brasileiros para países terceiros sem avisar o Brasil.
Em setembro, uma brasileira já havia sido detida pelo ICE ao desembarcar em um aeroporto americano.





























