A Abitrigo, associação da indústria de trigo, projeta que o Brasil importe até 9 milhões de toneladas do cereal em 2026, puxado pela perda de qualidade da safra interna. O volume é 31% maior que os 6,87 milhões de toneladas trazidos de fora em 2025.

Em maio, a mesma entidade projetava cerca de 7 milhões de toneladas. A estimativa subiu para 7,5 milhões em setembro e, agora, para 9 milhões, à medida que o impacto do clima sobre a safra ficou mais claro.

A produção nacional é estimada em 5,7 milhões de toneladas, mas o volume realmente disponível aos moinhos deve ser menor. Segundo a Abitrigo, o total produzido não diz tudo: pesam também a qualidade e a localização dos lotes.

Os números mostram que a colheita avança mais rápido que o normal, mas em pior estado: tem mais trigo saindo do campo, só que de qualidade inferior.

A colheita nacional chegou a 36,4% da área em 2 de outubro, acima dos 31% do mesmo período do ano passado. No Paraná, o segundo maior produtor do país, a colheita já tinha avançado a 70% da área em 5 de outubro.

O problema não é falta de lavoura, é qualidade: chuva persistente, granizo e doenças como giberela e brusone atingiram os primeiros lotes colhidos, reduzindo o peso dos grãos e derrubando a classificação do trigo para os tipos 2 e 3.

Isso encareceu o trigo tipo 1, o de melhor qualidade.

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Parte da pressão vem de fora: em agosto, o trigo chegou ao maior preço em três anos no mercado internacional, com a escalada da guerra no Mar Negro.

A oferta mundial também aperta: em julho, a produção de trigo nos EUA caiu ao menor nível desde 1970, reduzindo a disponibilidade do grão no mercado internacional.

No consumidor final, a cesta básica caiu em 25 capitais em setembro, mas ainda acumula alta no ano; o trigo é um dos itens que pesam nessa conta.

A alta no trigo já vinha pressionando o preço do pão francês, das massas e dos biscoitos desde abril, quando a indústria previu reajuste de 5% a 10% na farinha repassada ao consumidor.

O que acontece agora

A colheita segue até o fim de outubro nos estados do Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, onde a umidade ainda atrasa a retomada das máquinas. A Abitrigo deve atualizar a projeção de importação à medida que mais lotes forem classificados.