Pesquisadores da PUC-Rio desenvolveram um método de Inteligência Artificial Explicável (XAI) para identificar peptídeos com potencial contra o estresse oxidativo, processo químico ligado ao envelhecimento e a doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson. O estudo saiu em revista da American Chemical Society.

O corpo produz moléculas reativas, os radicais livres, como parte do funcionamento normal das células. Quando a produção desses radicais supera a capacidade do organismo de neutralizá-los, começa o estresse oxidativo, que pode danificar DNA, proteínas e gorduras.

Esse desgaste acumulado está entre as causas do envelhecimento e de doenças degenerativas.

Peptídeos antioxidantes são pequenas sequências de aminoácidos, encontradas em proteínas de alimentos ou produzidas em laboratório, capazes de neutralizar radicais livres. A alimentação é uma fonte importante deles. Parte é liberada durante a digestão.

A diferença não está em prever melhor, está em explicar por quê. A maioria dos modelos de IA acerta a previsão, mas não diz por que chegou a ela.

A Inteligência Artificial Explicável investiga essa parte, e ajuda a decidir quais peptídeos valem o teste em laboratório, etapa mais cara e demorada da pesquisa.

O estudo é assinado por André Silva Pimentel, Maria Carolina J. A. Schneider e Marina Geisiely Damaso Godinho Alves, do Laboratório de Sistemas Complexos da PUC-Rio.

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Os mesmos pesquisadores já haviam publicado, em julho, um estudo sobre peptídeos usados na indústria de cosméticos. O grupo da PUC-Rio vem se dedicando ao tema de moléculas bioativas há pelo menos quatro meses.

As aplicações mais próximas estão em alimentos funcionais, cosméticos e suplementos.

No horizonte mais distante, os pesquisadores citam interesse da área em oncologia e em doenças neurodegenerativas, como o Parkinson, alvo de outras pesquisas sobre envelhecimento celular.

A busca por moléculas contra o envelhecimento tem crescido no Brasil: especialistas já apontam que longevidade vai além da expectativa de vida, e passa também pela qualidade das células ao longo dos anos.

O interesse comercial por soluções de envelhecimento saudável já é visível no setor de saúde brasileiro: a rede Fleury abriu uma unidade dedicada ao tema em maio.

O avanço acontece num momento em que o Brasil tenta ampliar sua presença na ciência internacional: o país teve aumento de 30% na verba de pesquisa, mas segue sem nenhum Nobel nas áreas científicas.