A 30 quilômetros de distância, duas seções eleitorais de Angra dos Reis (RJ) tiveram os maiores percentuais estaduais dos dois principais candidatos à Presidência no 1º turno. Na aldeia indígena Sapukai, Lula teve 96,08% dos votos. No Provetá, Flávio Bolsonaro teve 93,06%.

A aldeia Sapukai é a maior comunidade indígena do Rio de Janeiro. Segundo o Censo, 339 indígenas vivem no território. Pela primeira vez, a comunidade teve urna dentro do próprio território, no Colégio Indígena Estadual Karai Kuery Renda.

Mais de 150 moradores votaram ali: Lula recebeu 147 votos, contra 3 de Flávio Bolsonaro e 3 de Ronaldo Caiado.

A leitura do resultado é de André Rodrigues, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenador do Laboratório de Estudos sobre Política e Violência.

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Segundo o professor, a concentração de votos em Lula está ligada à preocupação dos indígenas com a preservação de seus direitos territoriais. O histórico de posicionamentos do bolsonarismo sobre demarcação de terras ajuda a explicar a preferência da comunidade, afirma o pesquisador.

A 30 km dali, a seção 83 fica no Colégio Estadual Pedro Soares, no Provetá, comunidade de pesca na região de Ilha Grande. Ali, Flávio Bolsonaro recebeu 161 dos 173 votos válidos, 93,06% da seção, seu melhor resultado no Rio de Janeiro.

O padrão de Sapukai não é isolado: levantamento publicado nesta semana mostra que Lula teve 82,93% dos votos em áreas indígenas do país, quase o dobro da média nacional. A análise usou microdados do TRE-RJ, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro.

No restante de Angra dos Reis, porém, Flávio não repete o resultado do Provetá. Sua melhor votação no município, fora essa exceção, foi em Japuíba e Mambucaba, com 63,9%, bem abaixo dos 93,06% de uma única seção.

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Angra dos Reis também é sede da usina nuclear que dá nome ao município. Durante a campanha, Flávio defendeu concluir Angra 3 com dinheiro privado.

O que acontece agora

O 2º turno para presidente acontece em 25 de outubro, com Lula e Flávio Bolsonaro novamente na disputa.

No Rio, a disputa pelo governo estadual já terminou: Douglas Ruas foi eleito sem 2º turno após a retotalização dos votos.