Plataformas de apostas como Polymarket e Kalshi davam, na primeira semana de outubro, cerca de 84% de chance de vitória a Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) no 2º turno. Advogados eleitorais dizem que os números não equivalem a pesquisa eleitoral.
Antes do 1º turno, em 4 de outubro, a chance de Flávio no Polymarket variava entre 60% e 62%. Depois do resultado (Flávio com 47,03% dos votos válidos e Lula, com 45,16%), o número saltou para acima de 80%.
Em 7 de outubro, o Polymarket dava 84% a Flávio e 14% a Lula; a Kalshi, 83% a 17%. Esses percentuais não medem intenção de voto, mas o preço que apostadores pagam para ganhar se o resultado se confirmar.
A diferença chama atenção: o Datafolha mediu Flávio com 49% e Lula com 45% nesta semana, resultado dentro da margem de erro, bem distante da disparada mostrada pelos mercados de apostas.
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Por que isso virou um problema eleitoral
O problema começou em setembro, quando ao menos 10 candidatos, entre eles Flávio, divulgaram probabilidades do Polymarket em gráficos de barra, no formato de pesquisa eleitoral. Segundo o Giro19, um especialista classificou a apresentação como "exatamente a linguagem usada na divulgação de pesquisas eleitorais".
Advogados eleitorais ouvidos pela mesma reportagem dizem que a probabilidade de mercado reflete o dinheiro apostado por um grupo autosselecionado, não a opinião de uma amostra representativa do eleitorado.
A prática pode se enquadrar na Lei das Eleições (9.504/97), com multa de R$ 54 mil a R$ 100 mil e remoção do conteúdo. Reincidência pode levar à cassação da candidatura, segundo o levantamento do Giro19.
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O TSE já determinou a Flávio a retirada de outros conteúdos do ar nesta campanha, mas, sobre os mercados de apostas, afirmou que só atua quando provocado judicialmente.
Em agosto, o tribunal criou um conselho para monitorar desinformação e uso indevido de IA nas eleições, mas sem regra específica sobre mercados de previsão.
O que acontece agora
O 2º turno acontece em 25 de outubro. Até lá, as duas campanhas devem seguir citando os mercados de previsão, o que mantém o tema sob atenção do TSE e de advogados eleitorais.





























