A brasileira Sara de Cássia Alves, de 36 anos e natural de Sorocaba (SP), está sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) desde 11 de setembro, quando foi detida no Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma, ao lado do marido americano.
O motivo oficial da detenção não foi divulgado. Segundo a irmã de Sara, Claudia Alves, o caso envolve o visto da brasileira e uma autorização de extensão de permanência com vínculo empregatício nos Estados Unidos.
Sara e o marido, Thomas Boudreau, moram na Flórida e viajavam para o casamento de um primo em Seattle quando foram abordados pelo ICE. A audiência que vai definir o valor da fiança está marcada para 5 de outubro.
Como é a rotina dentro do centro de detenção?
Segundo a cunhada de Sara, Allison Montoya, que tem relatado o caso nas redes sociais, ela divide um salão do tamanho aproximado de um ginásio escolar com cerca de 95 detentas, dormindo em beliches sob luzes acesas o tempo todo.
A contagem de presença acontece todos os dias às 7h, segundo Allison. A água e a comida fornecidas têm qualidade ruim, e as detentas só podem comprar até cinco garrafas de água por semana na cantina, se receberem depósito de fora.
Thomas visita Sara nos dias ímpares, já que as visitas são divididas entre dias pares e ímpares. Ele percorre cerca de 88 quilômetros até o centro de detenção e passa de três a quatro horas na estrada por causa do trânsito de Seattle.
O g1 e a TV TEM procuraram o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) sobre as circunstâncias da prisão e não obtiveram retorno até a última atualização da reportagem deles.

O caso de Sara acontece num momento de alta nas deportações de brasileiros dos Estados Unidos.
Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), 4.199 brasileiros foram deportados entre janeiro de 2025 e 30 de abril deste ano, em 51 voos fretados pelo governo americano.
O caso de Sara não é isolado. Dias antes, a TV Sim Brasil noticiou outra brasileira detida pelo ICE após uma crise de saúde.
O endurecimento também aparece na política de vistos. Em agosto, os EUA suspenderam o agendamento de vistos de imigrante em postos que atendem brasileiros.
Nesta terça (30), a Suprema Corte dos EUA liberou o envio de deportados para países terceiros, decisão que também mexe na política de deportações do governo americano.
O que acontece agora
A família de Sara contratou um advogado para acompanhar o caso e estima que os custos, somados à fiança, variem entre US$ 7 mil e US$ 20 mil. Por isso, parentes organizam campanhas de arrecadação simultâneas no Brasil e nos Estados Unidos.
Até a noite desta quarta-feira (30), a campanha no Brasil somava R$ 2,6 mil, e a dos Estados Unidos, US$ 9.962, o equivalente a cerca de R$ 50 mil na conversão atual.






























