O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou nesta quinta-feira (8) um novo ataque ao Irã antes das eleições de meio de mandato de 3 de novembro, citando conversas produtivas com Teerã e fluxo recorde de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Na postagem, publicada no Truth Social, Trump escreveu:
Estamos mantendo discussões produtivas com a República Islâmica do Irã (...) não atacaremos o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato que serão realizadas nos Estados Unidos em 3 de novembro. O Irã não terá armas nucleares.
Segundo o presidente, 22 milhões de barris passaram pelo estreito só na noite de quarta-feira (7), sem nenhum vindo do Irã. A rota concentra cerca de um quinto da produção mundial diária de petróleo, segundo a CNN Brasil.
O bloqueio naval aos portos iranianos segue em vigor. O governo americano diz que o Irã perdeu o controle do Estreito de Ormuz, o que Teerã nega. Irã e EUA trocaram propostas para reabrir o estreito, mas Trump rejeitou a última oferta iraniana.
A guerra começou em fevereiro de 2026. EUA e Israel atacaram instalações iranianas. O conflito custa US$ 3 bilhões por mês aos cofres americanos, segundo a Reuters, e virou tema central da campanha dos midterms, pressionando os republicanos no Congresso.
Trump diz esperar queda no preço do petróleo depois da eleição, mas o combustível caro já ameaça a maioria republicana no Congresso, segundo a Reuters.
Isso ainda não aconteceu. O barril do Brent girava em US$ 100,87 em 7 de outubro, alta de 52% em 12 meses, como mostrou a nossa cobertura sobre o petróleo perto de US$ 100 com a guerra sem data para acabar.
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Como o Irã pesa nas contas do Brasil?
O conflito também move o mercado brasileiro. Com o Estreito de Ormuz sob risco, compradores da Ásia passaram a buscar mais petróleo do Brasil, e a Petrobras virou fornecedora maior para China e Índia, turbinando a receita do governo.
A produção brasileira subiu de 3,77 milhões de barris por dia em 2025 para 4,06 milhões em 2026, segundo o Al Jazeera. As exportações para a Ásia saltaram de 1,2 milhão para 1,8 milhão de barris diários no mesmo período.
Mais de 60% do que a Petrobras exporta hoje vai para a China, cujas compras passaram de 704 mil para 1,316 milhão de barris por dia, alta de 95% no valor vendido, para US$ 7,2 bilhões só no primeiro trimestre de 2026.
O Ministério da Fazenda estima que esse petróleo soma receita extra equivalente a quase 1% do PIB acima da previsão orçamentária de 2026. Foi nesse cenário que o leilão da ANP arrecadou recorde de R$ 3 bilhões, com a Petrobras na ponta compradora.
Nem todo mundo sai ganhando. Em setembro, na ONU, o presidente Lula disse que a guerra no Irã encarece combustível e comida para o brasileiro.
O mesmo petróleo que enche o caixa do governo com exportação também pesa no bolso de quem abastece o carro.
O que acontece agora
O bloqueio aos portos iranianos segue valendo pelo menos até 3 de novembro, data das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Washington e Teerã mantêm conversas para reabrir por completo o Estreito de Ormuz.
A última oferta iraniana já foi rejeitada por Trump, que aposta na queda do petróleo depois do pleito. Isso ainda não se confirmou no mercado.





























