Os Estados Unidos deportaram 46 brasileiros para países que não são o deles desde que a Suprema Corte autorizou a prática, em 29 de setembro. A Costa Rica recebeu 44; a Guiné Equatorial e a Libéria, um cada. O governo brasileiro nunca foi avisado.

A Suprema Corte decidiu por 6 votos a 3 manter a política de deportação para países terceiros da Casa Branca, que havia sido suspensa por uma corte de instância inferior em Massachusetts. O julgamento final do mérito está marcado para dezembro.

A decisão permite remover migrantes para países que não são o de origem deles, sem chance de provar os riscos que correriam lá. Em 2025, mais de 25 mil migrantes foram enviados a 29 países, incluindo Sudão do Sul, Uganda e República Centro-Africana.

O governo americano chama a política de “ferramenta essencial para remover certos estrangeiros, incluindo alguns dos criminosos estrangeiros mais perigosos”.

Por que o Brasil só soube pela imprensa

O Brasil só soube pela imprensa: o governo brasileiro nunca recebeu aviso oficial de Washington sobre nenhuma das 46 deportações para países terceiros, nem mesmo pelos canais diplomáticos que normalmente avisam sobre repatriação de brasileiros.

A rota oficial de repatriação é outra: desde o início do governo Trump, 5.519 brasileiros retornaram ao país em voos regulares, que chegam a Minas Gerais. Os enviados a países terceiros não entram nessa contagem nem seguem esse trâmite.

Um dos casos é o do brasileiro Alex Pereira-Alves, que pediu asilo nos EUA alegando temer perseguição no Brasil e ficou seis meses detido. Ameaçado de deportação para a Guiné Equatorial, ele conseguiu na Justiça barrar o envio.

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Não é um caso isolado: outra brasileira passou um mês detida pelo ICE nos Estados Unidos antes de conseguir a soltura.

O que acontece agora

O julgamento final sobre a legalidade da política está marcado para dezembro na Suprema Corte. Até lá, o governo segue autorizado a enviar migrantes para esses destinos, incluindo brasileiros detidos ao desembarcar nos Estados Unidos.

A Costa Rica recebe US$ 95 milhões dos EUA pelo acordo.