Um curativo desenvolvido por um estudante brasileiro usa descargas elétricas geradas por pressão para tentar acelerar a cicatrização de feridas em pacientes com diabetes. O projeto, de Yunes Natal Menezes Coelho, 21 anos, do Ensino Einstein, ainda está em fase de testes de laboratório.

Feridas de difícil cicatrização, sobretudo nos pés, são comuns em quem tem diabetes não controlado a longo prazo. A hiperglicemia, somada ao estresse oxidativo, inflama os vasos sanguíneos e acelera a formação de placas de gordura.

Segundo a endocrinologista Geísa Maria Campos de Macedo, da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), essas alterações reduzem a chegada de sangue e nutrientes aos tecidos, fundamentais para a cicatrização.

Segundo Macedo, a doença também prejudica a resposta imunológica. "Essas células passam a atuar de forma mais lenta, e alterações inflamatórias e o estresse oxidativo reduzem a capacidade de defesa do organismo", explica.

A neuropatia diabética compromete os nervos dos pés, que ficam insensíveis. Por isso, a ferida muitas vezes passa despercebida.

Em casos avançados, pode ser necessário amputar um membro.

Como funciona o curativo

O curativo é feito com impressão 3D e combina um material que gera descargas elétricas quando pressionado com óleo de semente de uva, usado por suas propriedades cicatrizantes. A impressão 3D controla a porosidade do material.

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Segundo o orientador do projeto, Roger Borges, engenheiro de materiais e professor de Engenharia Biomédica do Ensino Einstein, "usamos um material que, quando pressionado, gera pequenas descargas elétricas. Essas cargas podem favorecer a entrada de cálcio nas células", o que estimula a reprodução celular.

Testes in vitro já foram completados, com resultados considerados satisfatórios pelos pesquisadores. As próximas etapas são testes com células de pele, depois estudos em animais e só então em humanos.

O protótipo já chamou atenção fora do Brasil: foi destaque na Materials Science and Technology Conference 2026, realizada em outubro nos Estados Unidos.

O avanço se soma a outros registrados este ano no controle da doença no país: uma pesquisa recente mostrou avanços no controle do diabetes em 23 mil pacientes, e a Anvisa aprovou a primeira caneta genérica de semaglutida para a doença no Brasil.

O risco vascular do diabetes mal controlado também é alto no país: doenças cardiovasculares matam uma pessoa a cada 72 segundos no Brasil, segundo levantamento recente.