O Federal Reserve elevou os juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16), para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano, e sinalizou que pretende subir novamente até dezembro. A decisão foi unânime, a primeira alta de juros americana desde 2023.
A alta veio no mesmo dia em que o Copom cortou a Selic para 13,75% ao ano, quinta redução seguida desde março. Os dois bancos centrais passaram a caminhar em direções opostas.
A decisão foi tomada sob a liderança de Kevin Warsh, que assumiu a presidência do Fed em maio, indicado por Donald Trump. Warsh era visto como mais propenso a cortes de juros quando foi escolhido para o cargo.
O que diz a projeção do Fed
Segundo o comunicado do Fed, a medida busca um retorno mais rápido da inflação à meta de 2% ao ano. A projeção mediana dos dirigentes para o fim de 2026 subiu de 3,8% para 4,1% ao ano.
Das 18 autoridades que integram o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), 16 preveem pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto até dezembro. Só duas esperam a taxa estável.
A faixa anterior, de 3,50% a 3,75%, estava em vigor desde dezembro do ano passado. Para Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset, o aumento não deve ficar isolado.
Quando o banco central começa a subir, ele sabe como o ciclo começa, mas não sabe como o ciclo acaba.
Segundo Sichel, ainda há espaço para o Banco Central brasileiro reduzir a Selic novamente. Ele cita o comunicado do próprio Copom, que indicou desaceleração da atividade nos componentes mais cíclicos e conforto com a dinâmica da inflação.
Mas a alta simultânea dos juros nos Estados Unidos, no Japão e na zona do euro eleva o piso da política monetária global e torna esse espaço mais estreito.
A revista Forbes avalia que a combinação reduz o diferencial entre os juros americanos e brasileiros, o que tende a pressionar o real e a curva de juros no país.
Na sexta-feira (18), o dólar fechou a R$ 5,14 e o Ibovespa caiu 0,41% na esteira dos juros opostos entre Fed e Copom, segundo o fechamento do mercado após as duas decisões.
O aperto americano não é isolado. O Banco do Japão também elevou os juros ao maior nível em 31 anos na mesma semana, reforçando o movimento de alta generalizada nos juros das principais economias.
O que acontece agora
O Copom volta a se reunir em 3 e 4 de novembro e, na sequência, em 8 e 9 de dezembro, decisões que vão mostrar se o ciclo de cortes da Selic continua ou pausa diante do aperto dos juros nos Estados Unidos.
O próprio Fed já indicou, pelo dot plot, que a alta desta quarta não deve ser a última do ano.































