Um trabalhador de 21 anos morreu soterrado neste sábado (19) após o desabamento de uma estrutura de armazenamento de café em fazenda entre Araxá e Ibiá, no Alto Paranaíba. É mais um de uma lista que soma centenas de mortes por ano no país.
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), a vítima trabalhava sob a estrutura quando ela desabou, por volta das 13h30, e foi encontrada já sem vida. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do desabamento.
Quantas mortes assim o Brasil registra
Levantamento da Auditoria-Fiscal do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Previdência, contabilizou 394 mortes em acidentes com silos e armazéns de grãos entre 2021 e 2025, em 344 eventos registrados no país. É uma média de mais de seis trabalhadores mortos por mês.
O soterramento é a causa mais comum, com 39,4% dos casos, seguido por quedas, com 18,7%. Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul concentram quase metade das mortes do período, e 74% das vítimas têm entre 21 e 50 anos.
Um levantamento anterior, do auditor fiscal Rudy Allan Silva da Silva, já mostrava a curva subindo: 69 acidentes fatais em unidades de armazenagem em 2020, 89 em 2021 e 87 em 2022, a maioria por asfixia dentro do próprio silo.
Por que os acidentes continuam acontecendo
As regras existem: a NR-33 exige permissão de entrada, supervisor capacitado e sistema de resgate antes de qualquer operação em espaço confinado como um silo, e a NR-31 trata da segurança no trabalho rural de forma mais ampla.
Segundo o responsável pelo levantamento da Auditoria-Fiscal, "acima de 90% dos acidentes analisados poderiam ser evitados" com o cumprimento das normas já existentes.
Para a ministra do TST Kátia Arruda, a jurisprudência sobre o tema mostra que o ambiente é "profundamente perigoso" e que o número de mortes cresceu de forma exponencial.
O aumento da produção também amplia a exposição ao risco: a exportação de café do Brasil subiu mais de 50% em setembro, o que significa mais grãos movimentados e armazenados em estruturas como a que desabou em Ibiá.
O ponto em aberto
Não há código de registro específico para acidentes em armazéns agrícolas no Brasil, o que faz os números existentes dependerem de levantamentos avulsos de auditores, não de estatística oficial unificada. Cada novo caso, enquanto isso não muda, é contado por fora do registro oficial.





























