A Otan elegeu neste sábado (19) o general alemão Carsten Breuer para presidir o Comitê Militar, o posto militar mais alto da aliança, à frente do comandante supremo americano na Europa. Ele assume o cargo em 2027, por três anos.
A escolha aconteceu em Copenhague, durante a reunião anual dos chefes militares dos 32 países da Otan, e Breuer sucede o italiano Giuseppe Cavo Dragone.
O que o Comitê Militar realmente faz
O Comitê Militar aconselha por consenso o Conselho do Atlântico Norte sobre estratégia militar, e serve de elo entre os chefes de Defesa dos países-membros e a cúpula política da aliança.
Seu presidente tem precedência até sobre o Comandante Supremo das Forças Aliadas na Europa (SACEUR), cargo sempre ocupado por um general americano de quatro estrelas. Já o secretário-geral, hoje o holandês Mark Rutte, é um cargo diplomático, sem comando militar.
As decisões finais cabem sempre aos governos dos países-membros. Para o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, o novo presidente terá uma linha clara: "a ameaça proveniente principalmente da Rússia está crescendo", disse ele em comunicado.
Pistorius defende que os europeus terão de investir mais em segurança, já que os EUA vão voltar a atenção para outras regiões.
Por que a Otan reforça a linha de frente agora
A eleição ocorre sob pressão do presidente americano Donald Trump, que quer concentrar recursos militares dos EUA fora da Europa, priorizando a rivalidade com a China. Vários países da aliança já aprovaram a meta de destinar 5% do PIB à segurança até 2035.
A tensão também tem fatos recentes: na segunda-feira (14), uma fragata russa disparou sinalizadores contra um helicóptero militar dinamarquês em águas internacionais. Na quinta (17), a Rússia lançou nova onda de mísseis e drones contra Kiev, e a Polônia acionou caças perto da fronteira.
A estrutura está pronta. Os soldados, os sistemas e o armamento estão prontos. Temos 4.000 páginas de planos para o flanco leste.
A frase é do próprio Cavo Dragone, que segue no cargo até a chegada de Breuer e resume a mensagem que a aliança quer passar à Rússia: qualquer ataque à Otan teria mais custo do que ganho para Moscou.
O ponto em aberto
A troca de comando confirma uma tendência: a Alemanha, historicamente cautelosa em defesa, assume papel mais central na dissuasão europeia justamente quando os EUA sinalizam que vão se envolver menos.
O teste real começa em 2027, com a meta de 5% do PIB que nem todos os 32 países cumprem hoje.





























