Por que algumas pessoas tomam café à noite e dormem normalmente, enquanto outras ficam acordadas olhando para o teto? O tempo que a cafeína permanece no organismo, de 6 a 20 horas conforme a pessoa, é o fator central, segundo cientistas ouvidos pela BBC.

"O café simplesmente não tem muito efeito sobre mim", diz Emily, 20 anos, ao sair de um café em Londres. "Normalmente tomo duas xícaras por dia e talvez uma bebida energética também. E aí posso beber Coca-Cola a noite toda e me sentir perfeitamente bem."

A cafeína é a substância psicoativa mais consumida do mundo: mais de 2 bilhões de xícaras de café são tomadas todos os dias, sem contar refrigerantes, energéticos, chocolates e suplementos esportivos que também contêm a substância.

O que explica a diferença entre as pessoas

A velocidade com que o fígado processa a cafeína depende de um único gene, o CYP1A2, que pode ser influenciado, em certa medida, pela ancestralidade da pessoa. Quem tem a versão mais rápida elimina a substância bem antes de quem tem a versão mais lenta.

Segundo o site científico especializado em genética mygenefood.com, o CYP1A2 fica no cromossomo 15 e codifica a enzima responsável por metabolizar mais de 95% da cafeína ingerida.

Cada pessoa herda duas cópias do gene, e quem carrega ao menos uma versão mais lenta processa o café de forma mais demorada.

A cafeína não fornece energia extra ao corpo: ela bloqueia a ação da adenosina, substância que se acumula no cérebro ao longo do dia e provoca a sensação de sono. É por isso que, mesmo sem repor energia real, ela consegue mascarar o cansaço.

Por que a segunda xícara pode pesar mais

Marilyn Cornelis, professora associada de nutrição da Universidade Northwestern, em Chicago, estuda o tema. "É possível tomar a primeira xícara de café e talvez não sentir os efeitos", diz ela.

"Mas duas ou três horas depois, a cafeína ainda está presente no organismo e, se você tomar uma segunda xícara, isso pode ser o suficiente para desequilibrar a balança e você começar a se sentir um pouco ansioso", completa a professora.

Estudos citados por sites especializados em genética também associam a metabolização mais lenta da cafeína, combinada a consumo elevado, a maior risco cardiovascular, inclusive em pessoas mais jovens.

O número de risco não é apontado com precisão, mas o tema se soma a outras pesquisas recentes sobre o que mais afeta o sono dos brasileiros.