Um áudio divulgado pelo LiveATC registrou os instantes antes da queda de um Learjet 60 em Palm Beach, na Flórida, no domingo (1º de novembro). A piloto declarou emergência e disse: "Vamos bater no chão". As 9 pessoas a bordo morreram.
O avião, que ia de Austin, no Texas, para a ilha de Eleuthera, nas Bahamas, caiu num bairro residencial e explodiu perto de uma avenida movimentada. "Parecia um míssil caindo", disse o governador da Flórida, Ron DeSantis.

O que mostra o áudio da queda?
A piloto relatou aos controladores de Miami que lidava com gelo leve, classificado por ela como controlável, e turbulência moderada, que sacudia o avião em até 700 pés. A aeronave sobrevoava a 35 mil pés, com temperatura externa de -47°C.
Ela pediu para subir a 37 mil pés e, pouco depois, declarou emergência: "Mayday, Mayday! Estamos descendo 10 mil pés por minuto".
A velocidade de queda chegou a 30 mil pés (9 km) por minuto, segundo dados de rastreamento citados pela Associated Press, acima do limite de projeto do avião.
Nos últimos segundos, a piloto gritou: "Olhe lá fora, Jack, olhe lá fora! Estamos sem tempo". Ao todo, cerca de 35 segundos separaram o primeiro pedido de socorro do fim da gravação.
O Learjet 60 tem histórico de acidentes?
O modelo tem o maior índice de incidentes da sua classe, segundo o banco de dados tailno.com, que soma cerca de 314 unidades fabricadas. A maioria dos acidentes do Learjet 60 acontece no pouso, não em cruzeiro como no caso da Flórida.
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O mais grave foi em 2008, na Carolina do Sul. O NTSB concluiu que falhas no projeto do reversor de empuxo, somadas a pneus com manutenção inadequada, agravaram um acidente que matou o piloto, o copiloto e dois passageiros.
O especialista em segurança da aviação Steve Arroyo afirmou que gelo e turbulência podem ter contribuído para a queda desta vez, e que o avião pode ter perdido sustentação em pleno voo. O NTSB ainda não determinou a causa.
O que a investigação do NTSB ainda precisa responder
A queda de domingo é o 2º acidente mais mortal nos EUA neste ano, atrás apenas da queda de um avião de paraquedismo em Butler, no Missouri, que matou 12 pessoas em junho.
A causa ainda não foi confirmada.
Falta à investigação apontar se o gelo, a turbulência ou uma falha mecânica pesou mais na perda de controle da aeronave, e se a decisão de subir em meio à tempestade teve relação com o desfecho.
Casos como o da Voepass, em Vinhedo, mostram que a resposta de uma investigação aérea pode demorar anos. A Polícia Federal indiciou 16 pessoas pela queda que matou 62 só depois de um longo trabalho de apuração.
O Brasil também tem seu próprio retrato de quedas de aeronaves pequenas. Somente em Belo Horizonte, foram 6 quedas de avião em 10 anos, três delas partindo do mesmo aeroporto.
Desastres aéreos também mudam regras com o tempo. Décadas atrás, outro acidente levou a mudanças que alteraram o atendimento a vítimas de queda de avião no Brasil.































