Reynisfjara, praia de areia preta na Islândia, ficou conhecida pelas sneaker waves, ondas grandes que surgem de repente após sequências de ondas pequenas, sem aviso. O fenômeno já matou 6 pessoas desde 2007, segundo a imprensa islandesa, a mais recente em agosto de 2025.

A vítima mais recente foi uma criança de 9 anos, arrastada pelo mar. A praia fica perto da vila de Vík, cercada por paredões de basalto que já serviram de cenário para produções de cinema e TV.

A combinação de beleza e risco levou pesquisadores brasileiros a explicar por que o fenômeno é tão letal.

Onda grande quebra contra as formações de basalto da praia de Reynisfjara, na Islândia
As sneaker waves de Reynisfjara avançam de repente após sequências de ondas menores Foto: Jakub Hałun/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O que causa a onda traiçoeira?

A sneaker wave nasce da combinação entre grupos de ondas e variações no nível da água na zona de arrebentação, explica o pesquisador Keltony Aquino, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Mesmo após minutos de ondas pequenas, uma onda pode avançar muito mais que as anteriores.

"Isso, associado a configuração do fundo oceânico e à inclinação da face praial, favorece a ocorrência de ondas de elevada energia e o avanço repentino da água sobre a faixa de areia", diz Aquino, que tem apoio do Instituto Serrapilheira.

A localização de Reynisfjara também a deixa exposta às ondulações do Atlântico Norte, que ganham força antes de alcançar a praia.

A cor escura da areia, de origem vulcânica, costuma ser associada ao perigo da praia, mas, segundo o pesquisador, não é a causa dele. A areia preta não é responsável pela periculosidade. O que pesa são o fundo oceânico e o ângulo da arrebentação.

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Por que é tão difícil escapar da onda?

O perigo está no refluxo. A água volta ao mar com a mesma força que chegou, podendo arrastar quem foi derrubado, e a água fria dificulta a reação e o resgate, segundo o oceanógrafo João Thadeu de Menezes, da Associação Brasileira de Oceanografia (Aoceano).

"A água é extremamente fria, o que dificulta a sobrevivência e o resgate", afirma Menezes. O choque térmico provocado pelo frio pode comprometer a respiração justamente no momento em que a vítima mais precisa reagir.

Os paredões rochosos da praia somam um terceiro risco, já que podem soltar pedras sobre quem está por perto.

O risco de afogamento não é exclusividade da Islândia.

Só este ano, o litoral de São Paulo somou uma sequência de mortes por afogamento.

No Brasil, o afogamento também está entre as principais causas de morte infantil, mostrou outra reportagem da TV Sim Brasil.

Casos de mar imprevisível acontecem também no Brasil. Em setembro, um tsunami meteorológico invadiu uma praia e arrastou barcos em Santa Catarina.

Em Reynisfjara, placas recomendam nunca virar as costas para o mar e manter distância da linha d'água. A maioria dos acidentes ocorre quando o turista ignora o aviso para se aproximar das ondas.