A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, em 27 de outubro, ganhou um capítulo novo neste fim de semana. O programa Fantástico revelou que um ex-agente de inteligência de Israel acompanhou o senador na travessia da fronteira com a Argentina.
O jornal argentino Clarín relatou, à parte, que agentes dos Estados Unidos assumiram parte do controle de um aeroporto na operação. Nenhum dos dois fatos tinha sido reportado quando a saída de Flávio foi noticiada pela primeira vez.
Juntos, eles mudam o tamanho do que se sabia sobre a rota.

Quem é o ex-agente que acompanhou Flávio?
Chama-se Menachem Booky Halevy, ex-oficial do Mossad, o serviço de inteligência de Israel. Ele viajou no mesmo veículo que cruzou a fronteira com o senador e aparece em fotos ao lado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Halevy entrou no Brasil quatro vezes em 2026, a última em 19 de outubro, seis dias antes do 2º turno da eleição presidencial.
A presença de um ex-agente de inteligência estrangeiro na operação é o elemento que transforma uma fuga doméstica em caso de repercussão diplomática.
A cronologia reconstruída pela imprensa argentina mostra pressa e múltiplas tentativas. Entre 22h37 e 23h11 de 27 de outubro, houve três entradas registradas na fronteira em nome de Flávio, com documentos diferentes.
Foram usados um passaporte italiano, uma CNH e um passaporte brasileiro, os dois últimos cancelados depois pela Polícia Federal.
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O que o jornal argentino Clarín relatou sobre o aeroporto?
Segundo o Clarín, representantes dos Estados Unidos afastaram membros da Polícia de Segurança Aeroportuária argentina, além de agentes de imigração e alfândega, no aeroporto de Puerto Iguazú. Os americanos teriam coordenado o próprio embarque da família no jato.
O relato cita ao menos três, possivelmente quatro, jatos particulares posicionados como alternativas em aeroportos da Argentina, dos Estados Unidos e do Paraguai.
O presidente argentino, Javier Milei, teria enviado o assessor Santiago Caputo numa missão confidencial à província de Misiones para garantir o sucesso da operação.
O governo americano já havia negado qualquer participação. O secretário de Estado Marco Rubio disse, no fim de semana anterior, que os EUA não facilitaram em nada, embora tenha confirmado que o presidente Donald Trump autorizou pessoalmente a permanência do senador por um ano.
A Justiça argentina determinou a preservação das imagens das câmeras do aeroporto e da fronteira, o que pode confirmar ou derrubar o relato do Clarín. A Justiça do país também investiga se o governo Milei ajudou na fuga.
Parlamentares democratas dos EUA cobram resposta de Rubio sobre o papel americano, com prazo até 13 de novembro. No Brasil, as consequências já chegaram ao Congresso: o PSOL pediu a cassação do mandato de Flávio por abandono de cargo.
O ponto em aberto
A Justiça argentina preservou as imagens, mas ainda não as divulgou. O relato de um ex-agente do Mossad e de agentes americanos num aeroporto argentino segue baseado em fontes jornalísticas.
Nenhum dos três governos envolvidos confirmou a versão com documento oficial.
A pergunta que fica é se essas imagens, quando vierem a público, vão confirmar o grau de coordenação internacional descrito pela imprensa, ou reduzir o episódio a uma rota de fuga bem financiada sem o envolvimento direto de Estados estrangeiros.































