Uma nova plataforma batizada de Valor Clássico promete ser a Tabela Fipe dos carros antigos no Brasil. Lançada no domingo (1º de novembro), ela cruza anúncios de mais de 30 fontes para estimar preços de modelos como Fusca, Opala e Gol GTi.
Um mercado que dobrou sem referência de preço
O número de veículos de coleção registrados no Brasil saltou de cerca de 70 mil para 160 mil nos últimos anos, segundo reportagem do Estadão. O mercado de clássicos já foi estimado em dezenas de bilhões de reais pela Federação Internacional de Veículos Antigos.
Até agora, cada comprador e vendedor negociava por conta própria, sem referência confiável. Dois modelos idênticos podem ter valorações completamente distintas, dependendo do histórico de restauração, segundo o criador da plataforma.
O mercado de usados em geral vive pressão inversa. Carros chineses têm derrubado o preço dos compactos usados no Brasil, mas os clássicos seguem a lógica oposta, de raridade.
Como funciona o índice Valor Clássico
Criada por Vinícius Ribeiro, jornalista e designer, a plataforma nasceu de pesquisa acadêmica na Fatec São Paulo e levou cerca de 5 anos para ficar pronta. O processamento tem 4 etapas: coleta, classificação, depuração e cálculo dos preços.
O sistema só publica um valor quando há pelo menos 4 anúncios válidos para aquele recorte de modelo, ano e versão. Sem esse mínimo, a estimativa sobe para uma categoria mais ampla, ou simplesmente não aparece. A exigência evita estimativa feita com poucos dados.
A diferença de preço dentro do mesmo modelo mostra por que uma régua comum fazia falta. Um Fusca pode valer R$ 3 mil ou R$ 300 mil, a depender do estado de conservação e da raridade da versão.
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O mercado de clássicos também movimenta valores altos no topo. Em novembro, um Honda NSX que pertenceu a Ayrton Senna foi vendido por R$ 6,3 milhões.
O próprio criador reconhece limites. "O foco principal é viabilizar, principalmente, serviços financeiros como seguros, consórcios, crédito e financiamento", disse Ribeiro à CNN.
A tentativa de profissionalizar o setor acompanha outras mudanças na burocracia automotiva. A venda de carro usado no Brasil também passou a dispensar reconhecimento de firma em cartório, com o novo sistema digital.
O que acontece agora
Segundo Ribeiro, o projeto passou por um período de refinamento no programa de inovação Inova CPS antes de chegar ao público. A meta agora é ampliar a base de anúncios e, no futuro, viabilizar seguro e financiamento com base nos preços calculados.
O criador diz que ainda recebe sugestões para aprimorar a ferramenta.































