Cuba atinge em 2026 o pior nível histórico do transporte público. O ministro dos Transportes, Eduardo Rodríguez Dávila, afirmou nesta semana que as viagens de passageiros devem cair 75% neste ano, por causa do bloqueio de combustível que os Estados Unidos impõem desde janeiro.
Segundo o ministro, em entrevista exclusiva à Reuters em Havana, as linhas de ônibus na ilha caíram de mais de 100 para apenas 21. O serviço entre Havana e as províncias recuou de 419 para 11 viagens diárias.
O transporte interurbano, usado por trabalhadores para ir ao trabalho, deve cair 90%.
São famílias que não conseguem se locomover, pessoas que não podem visitar seus entes queridos doentes, outras que não conseguem chegar a um hospital.
A frase é de Rodríguez Dávila, engenheiro mecânico que comanda a pasta de Transportes cubana. O drama atinge diretamente quem depende de ônibus para ir ao trabalho, visitar parentes ou chegar a um hospital.
O transporte doméstico de cargas também encolhe. O ministro projeta cerca de 20 milhões de toneladas transportadas neste ano, menos de um terço das 70 milhões movimentadas em 2025.
A queda ameaça o abastecimento de alimentos e insumos na ilha.
Por que os EUA cortaram o combustível
Os Estados Unidos impuseram, no fim de janeiro de 2026, uma proibição de fato às importações de combustível pelo governo cubano. A medida atingiu diretamente o setor que mais depende de diesel e gasolina importados para funcionar.
O governo americano diz que o bloqueio busca derrubar o que classifica como administração inepta e corrupta em Havana. A medida foi reforçada após a prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos EUA, no início de janeiro.
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A Venezuela, principal fornecedora histórica de petróleo a Cuba, suspendeu os envios ao país na sequência da captura de Maduro. Cuba e a ONU consideram o bloqueio ilegal e uma violação dos direitos humanos da população cubana.
Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, a pasta autorizou, em fevereiro, empresas a pedir licença para revender petróleo venezuelano a Cuba. A condição é que a operação beneficie o setor privado cubano, excluindo Forças Armadas e instituições do governo.
Resta saber se Cuba consegue pagar essas compras, já que o comércio internacional de combustível costuma exigir garantia bancária e pagamento à vista.
O que o Brasil tem a ver com isso
O Brasil costuma votar a favor da resolução que a Assembleia Geral da ONU leva a votação na semana de 25 de outubro e que pede o fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba.
A exceção foi em 2019, no governo de Jair Bolsonaro, quando o país votou contra o texto.
Os Estados Unidos reuniram aliados na sede da ONU, em Nova York, no evento batizado "Cuba Libre: A Opressão que Havana Esconde", para tentar reduzir o apoio à resolução.
O embaixador americano Mike Waltz discursou ao lado de ex-presos políticos cubanos, e o país obteve adesão de Argentina, Israel, Paraguai e Ucrânia. O Brasil não foi convidado ao evento.
Fora da votação, o governo brasileiro já age na crise humanitária. O Brasil enviou 48 toneladas de leite em pó a Cuba, em meio ao déficit recorde de energia que atinge a ilha junto com o colapso dos transportes.
O que acontece agora
A Assembleia Geral da ONU vota a resolução contra o embargo na semana de 25 de outubro. Enquanto isso, cubanos recorrem a caronas e viagens combinadas de forma improvisada para se deslocar, enquanto o ministério dos Transportes busca alternativas para repor parte da frota.






























