A Argentina deve ter entrado em recessão técnica no terceiro trimestre de 2026, segundo o Índice Mensal de Atividade Econômica (EMAE), divulgado pelo Indec nesta quarta-feira (21). O indicador cresceu 0,1% em agosto, incapaz de reverter a queda de 2,8% de julho.

Para evitar a recessão técnica, a economia argentina precisaria ter crescido mais de 8,5% em setembro, segundo o analista Gonzalo Carrera, da consultoria Equilibra, que classifica o cenário como improvável.

Com um crescimento mensal de 1,5% em setembro, o trimestre encerraria com uma queda de 2,3%.

A recessão técnica se configura porque o PIB argentino já havia caído 0,2% no segundo trimestre de 2026. Dois trimestres seguidos de retração é a definição do fenômeno.

Quais setores puxaram a atividade para baixo?

Dez dos 15 setores que compõem o EMAE caíram em agosto, segundo o Indec. Os maiores recuos foram pesca (-15,7% ao ano), indústria manufatureira (-3,2%) e comércio atacadista, varejista e de reparos (-3,5%).

Os dois últimos setores juntos subtraíram 0,9 ponto percentual da variação interanual do EMAE. Cinco setores tiveram alta: mineração e pedreiras (+11,1%), eletricidade, gás e água (+4,3%), e hotéis e restaurantes (+3,1%).

Qual o efeito para o Brasil?

A recessão argentina aprofunda um comércio bilateral já em queda. No 1º semestre de 2026, as exportações brasileiras para a Argentina caíram 19,4%, de US$ 9,1 bilhões para US$ 7,4 bilhões.

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A participação do Brasil nas importações argentinas recuou de 5,5% para 4% no mesmo período. A recuperação da economia sob o governo de Javier Milei já vinha perdendo força antes mesmo do dado de agosto.

No setor automotivo, as vendas de carros de passeio brasileiros para a Argentina caíram 28,2%, e as de autopeças, 28,7%. Ainda assim, a Argentina segue como o 3º maior destino das exportações do Brasil, atrás apenas de China e Estados Unidos.

O enfraquecimento da atividade argentina chega dias depois de o risco-país argentino tocar o maior nível em um ano nos mercados financeiros.

A fragilidade também aparece nas contas externas: a dívida da Argentina com o FMI deve triplicar até 2028, segundo projeções do próprio fundo.

O que acontece agora

O Indec deve divulgar o resultado oficial do PIB do 3º trimestre nas próximas semanas, o que confirmará ou não a recessão técnica apontada pelo EMAE.