O Ministério da Fazenda prevê renegociar R$ 90 bilhões em dívidas na 3ª fase do Desenrola Brasil, segundo o ministro Dario Durigan. Bancos já podem informar ao governo, desde terça-feira (21), quanto querem vender de dívidas em atraso, antes do leilão previsto para novembro.

O programa mira dívidas de cartão de crédito e crédito pessoal sem consignação, de até R$ 10 mil, com atraso entre 2 e 4,5 anos. O teto do Desenrola 3.0 é de R$ 150 bilhões em dívidas compradas.

"Estamos fazendo uma chamada aos bancos para que eles se organizem e apresentem o exato volume pelas diferentes faixas", disse Durigan.

O governo compra as carteiras de dívida direto dos bancos, com desconto de 90% sobre o valor original.

Durigan reforçou que não haverá negociação direta entre pessoas físicas e bancos. A operação passa pelo Tesouro Nacional ou por um banco público, como Banco do Brasil ou Caixa.

O desconto na compra é o que permite ao governo zerar muita dívida pagando pouco por ela.

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O que muda no bolso de quem deve?

Quem tem dívida elegível poderá quitá-la à vista ou parcelada, com desconto, depois que o governo comprar a carteira do banco. As condições exatas de pagamento para o devedor ainda não foram detalhadas.

Com R$ 90 bilhões em dívidas compradas, o impacto previsto aos cofres públicos é de até R$ 9 bilhões. Se o programa chegar ao teto de R$ 150 bilhões, o custo sobe para R$ 15 bilhões.

O Desenrola 3.0 foi criado por medida provisória assinada pelo presidente Lula em setembro. É a terceira fase do programa, sucessora do Desenrola 2.0, que terminou em agosto com inadimplência em recorde.

O que acontece agora

As instituições financeiras têm até cinco dias úteis após a publicação do edital para informar o volume de dívidas que querem oferecer ao programa. O leilão está previsto para novembro, com possibilidade de adiamento para o início de dezembro.

Segundo o governo, o Desenrola 3.0 segue independente do resultado da eleição presidencial de domingo (25).