A revista americana The New Yorker publicou nesta quarta-feira (21) uma coluna que diz que o presidente Lula (PT) pode sofrer derrota no 2º turno das eleições, neste domingo (25), diante do senador Flávio Bolsonaro (PL). O texto é assinado por Ishaan Tharoor.
Segundo a coluna, as chances favorecem Flávio, descrito como de "direita radical". Tharoor cita o resultado do 1º turno, em que Flávio ficou à frente de Lula, e lembra que, desde 1989, todos os candidatos que venceram o 1º turno também venceram o 2º.
Mesmo que Lula consiga uma vitória apertada, ele poderá passar seu próximo mandato bastante limitado por uma estrutura federal dominada pela direita.
A coluna tem como título "A última dança de Lula", referência à música "Under Pressure", de Queen e David Bowie, usada em vídeos de apoiadores do presidente.
Tharoor escreve que "Lula espera que milhões de brasileiros descontentes, que não votaram no primeiro turno, ainda compareçam às urnas para votar nele". Mas lembra as vitórias da direita no Congresso e nos estados.
Por que a revista fala em onda de direita?
A onda de direita já elegeu presidentes em sete países da América do Sul desde 2023: Argentina, Equador, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru e Colômbia. Na América Central, El Salvador, Honduras e Costa Rica seguiram a mesma direção.
Os nomes à frente desses governos são Javier Milei, na Argentina, e Daniel Noboa, reeleito em maio no Equador. Completam a lista Rodrigo Paz, que encerrou quase 20 anos de esquerda na Bolívia em outubro, e José Antonio Kast, eleito em dezembro no Chile.
Com Flávio favorito, diz a coluna, o Brasil está perto de se tornar "o nome mais importante" dessa lista. É uma guinada que, segundo o texto, se alinha à visão do governo de Donald Trump para o hemisfério.
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A guinada à direita na América do Sul já havia sido citada por Trump a poucos dias do 2º turno.
O Brasil vive, segundo analistas, uma onda que já derrubou governos vizinhos.
O texto reconhece conquistas dos dois primeiros mandatos de Lula, como a redução do desmatamento e a liderança em temas climáticos, e cita os programas sociais que, segundo a coluna, tiraram "dezenas de milhões de pessoas" da pobreza, num período de alta das commodities.
O texto ainda aborda a prisão de Lula entre abril de 2018 e novembro de 2019, durante a Lava Jato, episódio anterior à sua volta à Presidência em 2022.
O que mostram as pesquisas a 3 dias do 2º turno
A pesquisa Quaest divulgada em 21 de outubro mostra Flávio com 45% das intenções de voto contra 44% de Lula, resultado dentro da margem de erro de dois pontos — tecnicamente um empate.
O instituto ouviu 2.154 eleitores entre 17 e 20 de outubro, a pedido da TV Globo, com 95% de confiança e registro BR-08535/2026 no TSE. Os indecisos dobraram para 14% do eleitorado na mesma pesquisa.
Desde a redemocratização, a alternância de poder subiu a 72% das eleições presidenciais na América do Sul, sinal da dificuldade crescente de reeleição na região.
O que acontece agora
O 2º turno ocorre neste domingo (25), quando o Brasil decide entre Lula e Flávio Bolsonaro. Até lá, as campanhas disputam o eleitorado indeciso nos últimos dias de propaganda eleitoral autorizada pelo TSE.





























