A Raízen propôs nesta quarta-feira (21) um aumento de capital de pelo menos R$ 3,5 bilhões, com emissão de 14 bilhões de novas ações a R$ 0,25 cada. A operação é uma etapa do plano que reestruturou R$ 61,4 bilhões em dívidas da companhia.

O preço de emissão é uma fração do que a Raízen valia na Bolsa até poucos anos atrás. Ele reflete o tamanho da crise.

A empresa, joint venture entre Shell e Cosan, pediu recuperação extrajudicial com R$ 65 bilhões em dívidas, o maior valor já registrado nesse tipo de processo no Brasil.

Para comparar, é cerca de 26 vezes maior que os dois maiores casos anteriores do agronegócio: Lavoro (R$ 2,5 bilhões) e Belagrícola (R$ 2,2 bilhões). A TV Sim Brasil já mostrou como a Raízen chegou a essa situação.

A Justiça de São Paulo homologou o plano de recuperação em julho, depois de a companhia obter apoio de mais de 80% dos credores.

Quem ganha e quem perde com a operação?

A Shell lidera o resgate: a empresa já havia se comprometido a aportar R$ 3,5 bilhões na Raízen, o mesmo valor do aumento de capital anunciado agora. Rubens Ometto, fundador da Cosan, prometeu mais R$ 500 milhões por holding própria.

Os acionistas também já tinham aprovado em assembleia o plano de recuperação de R$ 65 bilhões, em setembro.

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Para quem já é acionista da Raízen e não tem caixa para acompanhar a oferta, o efeito é a diluição: cada ação nova emitida a R$ 0,25 reduz a fatia proporcional de quem ficar de fora.

O direito de preferência existe justamente para amenizar essa perda. Quem tinha ações da Raízen na B3 até o fim do pregão de 5 de novembro pode comprar as novas ações antes de outros investidores.

O que acontece agora

As assembleias que vão aprovar a operação estão marcadas para 30 de outubro, e o Conselho de Administração decide sobre o aumento de capital em 5 de novembro. O prazo para exercer o direito de preferência vai de 6 de novembro a 7 de dezembro.

Segundo o cronograma informado ao mercado, a homologação do aumento de capital está prevista para 16 de dezembro, com entrega das novas ações aos investidores dois dias depois.

O ponto em aberto

O valor final da capitalização ainda depende de quantos credores decidirem converter crédito em ação e de quantos acionistas vão exercer a preferência até dezembro. Até lá, não dá para saber quanto do controle da Raízen vai mudar de mãos.