A petroleira britânica BP anunciou nesta terça (13) que sua dívida líquida deve cair para até US$ 13,5 bilhões no 3º trimestre, ante US$ 22,3 bilhões em junho. A empresa também sinalizou baixa contábil de até US$ 4,5 bilhões em ativos de energia limpa.

A margem de refino saltou para US$ 46,70 por barril no trimestre, ante US$ 29,70 antes. A alta deve render entre US$ 1,9 bi e US$ 2,1 bi a mais em lucro frente ao trimestre passado.

Posto de gasolina da BP em Edimburgo, no Reino Unido
Posto de gasolina da marca BP em Edimburgo, Reino Unido (foto de arquivo) — Foto: Lewis Clarke/Wikimedia Commons

A baixa contábil recai sobre negócios de transição do segmento de gás e energia de baixo carbono. É a segunda vez em um ano que a BP registra um corte grande nessa área: em janeiro, já havia sinalizado até US$ 5 bilhões.

Por que a BP está recuando da energia limpa

A BP recua da energia limpa porque reduziu os investimentos de transição em mais de US$ 5 bilhões por ano, com meta de gastar no máximo US$ 2 bilhões na área. Em julho, vendeu a carteira de capital de risco para a gestora Verdane.

O movimento confirma a guinada que petroleiras vêm fazendo desde que o preço do petróleo voltou a subir: priorizar o caixa do petróleo e gás, não mais a pressa na transição energética.

O que acontece agora

A BP apresenta o resultado completo do 3º trimestre em 30 de outubro, quando deve detalhar o valor final da baixa contábil e os planos para os ativos de transição.

Publicidade

A disputa por caixa ocorre em um mercado de petróleo que segue volátil. Nos últimos meses, o preço do Brent despencou e voltou a subir no mesmo dia.

Parte da volatilidade vem de episódios como os ataques dos houthis ao aeroporto de Riad, que afetam a confiança no fornecimento de petróleo saudita.

A BP também vem de mudanças na cúpula: em maio, a petroleira dispensou o presidente do conselho por conduta inadequada.