As ações da Nvidia bateram recorde nesta sexta-feira (2), com alta de 2,9%, e levaram o valor de mercado da fabricante de chips para perto de US$ 6 trilhões (cerca de R$ 31,4 trilhões). É a maior cotação da empresa desde maio, segundo a Bloomberg.
Segundo a Bloomberg, a alta foi puxada pelo otimismo do mercado com o Muse, o novo agente de inteligência artificial da Meta. O produto pode acessar contas de e-mail, agenda, pagamentos, saúde e compras para executar tarefas em nome do usuário.
A Nvidia fabrica os chips usados para treinar modelos como o do ChatGPT, e controla cerca de 80% do mercado de chips de IA de ponta, segundo a Reuters. Microsoft, Google, Amazon, Meta e Spotify estão entre os clientes da empresa.
O que explica a confiança do mercado
Em maio, a Nvidia registrou lucro de US$ 58,3 bilhões no 1º trimestre fiscal de 2026, alta de 211% sobre o mesmo período do ano anterior. Foi o primeiro de uma sequência de trimestres recordes.
No trimestre seguinte, a TV Sim mostrou lucro de US$ 59,7 bilhões, alta de 126%, também puxado pela corrida por chips de IA.
A TV Sim já havia mostrado que a empresa aprovou a maior recompra de ações da história dos Estados Unidos, de US$ 150 bilhões, sinal de quanto dinheiro a companhia tem disponível.
O próprio Muse, gatilho da alta de hoje, já é visto como ameaça ao domínio da Apple em compras feitas pelo iPhone, segundo outra reportagem da TV Sim.
O timing não é acaso.
A dúvida que investidores como Michael Burry levantam
Nem todo investidor está otimista. O americano Michael Burry, conhecido por prever a crise financeira de 2008, comparou a euforia com as GPUs da Nvidia à bolha especulativa do leasing de computadores dos anos 1960.
O gatilho foi um slide que a própria Nvidia apresentou a investidores em 27 de setembro, defendendo que sua infraestrutura de IA mantém valor além dos cronogramas acelerados de depreciação. Para Burry, o argumento repete um erro do passado.
Ele cita o livro "The Money Game", de 1968, em que um crítico questiona a rapidez com que computadores eram depreciados, e é ridicularizado por especuladores que diziam que a necessidade de computadores era "praticamente infinita".
Ele também aponta que o uso de dívida lastreada em GPUs e crédito privado para financiar a expansão da infraestrutura de IA lembra os modelos do leasing de tecnologia dos anos 1960, que não se sustentaram.
Nvidia e outras ações de IA negociam com relação preço/vendas acima de 30, patamar que no passado antecedeu correções abruptas no mercado, como na bolha das pontocom.
O que acontece agora
A Nvidia já rebateu publicamente, em outras ocasiões, quem questiona se o investimento em IA é uma bolha, inclusive citando avaliações do próprio Burry, segundo a CNBC. A empresa ainda não comentou a fala mais recente do investidor.






























