O Ibovespa subiu 6,9% entre o 1º e o 2º turno, enquanto o dólar caiu 4,4% ante o real, para R$ 4,98, nesta sexta-feira (23). No dia do 1º turno, a Bolsa teve a maior alta em um pregão em 6 anos.

No pregão de 5 de outubro, dia do 1º turno, o Ibovespa fechou em 206.911,89 pontos, alta de 7,70%, e bateu 209 mil pontos no intradia, recorde histórico.

O dólar, que estava em R$ 5,21 no dia 2 de outubro, caiu para R$ 4,98 na sexta (23), e acumula queda de 9,1% no ano.

O fluxo estrangeiro ajudou a sustentar o movimento. Só em outubro, entraram R$ 20,15 bilhões na Bolsa até o dia 21, o segundo melhor mês do ano em captação externa. Analistas apontam a queda dos juros futuros como o principal combustível da alta.

Segundo o banco Goldman Sachs, 85% da alta da Bolsa é explicada pelo fechamento das taxas de juros de longo prazo. O banco projeta o dólar a R$ 4,70.

"Com o passar da tarde, o dólar perdeu fôlego e passa a recuar, tocando seus menores níveis do dia", descreveu Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, sobre o pregão de sexta.

"O mercado está apostando na vitória de Flávio, por mais que seja apertadíssima", resume Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora. A disputa, porém, segue tecnicamente empatada nas pesquisas.

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A última pesquisa PoderData/Aya, divulgada neste domingo, mostrava 51% a 49% dos votos válidos, dentro da margem de erro.

Os setores mais sensíveis ao custo do crédito puxaram a alta. Varejo e construção civil lideraram os ganhos, com destaque para Magazine Luiza e MRV.

O movimento não é inédito. Em 2002, o Ibovespa subiu 8,15% entre os dois turnos; em 2006, 7,90%. A queda do dólar após o 1º turno já havia sido a maior desde 1994.

Nem todos veem só otimismo no movimento. Em matéria publicada ainda no 1º turno, a euforia do mercado já esbarrava na falta de detalhes sobre o ajuste fiscal prometido pelos candidatos mais bem vistos pelos investidores.

O ponto em aberto

Os preços de mercado já refletem uma expectativa. Ibovespa em alta e dólar em baixa indicam o cenário que os investidores precificam agora.

Mas a própria corretora que descreve esse movimento admite que a disputa nas urnas é apertadíssima, e a pesquisa mais recente mostra margem dentro do erro estatístico. O que vale no pregão de sexta-feira pode não valer nada diante do resultado desta noite.