Donald Trump tentou conter o avanço das energias renováveis em favor dos combustíveis fósseis desde que voltou à Casa Branca, mas a energia limpa resiste e deve bater recorde de 45 gigawatts de capacidade instalada neste ano, segundo a S&P Global Energy.

Como presidente, ele chamou a energia eólica e a energia solar de "fraude do século". Disse que a energia eólica é para "gente burra" e que os parques eólicos marítimos deixam as baleias "um pouco malucas".

A "One Big Beautiful Bill Act", lei aprovada no ano passado, reduziu os créditos fiscais para investimentos verdes criados pelo ex-presidente Joe Biden. O governo também retirou os EUA do Acordo de Paris pela segunda vez e paralisou mais de 150 projetos eólicos em terra.

Por que a energia limpa resiste a Trump?

A energia limpa resiste porque ficou mais barata. Painéis solares, turbinas eólicas e baterias estão entre as opções mais competitivas para gerar eletricidade nos Estados Unidos, mesmo sem subsídio federal, e levam menos tempo para entrar em operação.

Novos projetos solares e eólicos ficam prontos em menos de dois anos, contra pelo menos três anos no caso do gás natural. Em 2025, as empresas de energia dos EUA já haviam gerado um volume recorde de eletricidade a partir de fontes renováveis.

Enquanto isso, a China exportou US$ 40 bilhões em painéis solares no ano passado. Os Estados Unidos exportaram apenas US$ 69 milhões.

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As ações globais do setor de energia verde tiveram desempenho superior às de petróleo e gás desde a posse de Trump, apesar da disparada dos preços dos combustíveis fósseis neste ano.

Trump tenta baixar o preço da gasolina nos EUA e esbarra no Irã.

O que isso significa para o Brasil?

No Brasil, o setor solar fica protegido das tarifas de Trump porque os painéis instalados no país vêm da China, não dos Estados Unidos, segundo o especialista em energia André Pereira, da USP.

"A China produz mais de 90% dos painéis solares comercializados no mundo e controla toda a cadeia logística do setor", afirma Pereira.

O Brasil está protegido não por política própria, mas pela geografia da cadeia produtiva chinesa.

O setor solar brasileiro já acumula R$ 313 bilhões em investimentos e gerou 2,1 milhões de empregos, segundo o Times Brasil. A energia solar responde por mais de 20% da matriz elétrica do país.

Incentivos federais e estaduais ajudaram a expandir o setor nos últimos anos. Para Pereira, fabricantes chineses redirecionados do mercado americano podem até baratear preços e dar novo fôlego à energia solar brasileira.

O setor realmente afetado é o de biocombustíveis, taxado em até 37,5% pelos Estados Unidos por depender do agronegócio brasileiro, alvo direto do tarifaço.

A disputa também é entre EUA e China. A China restringiu a exportação de tecnologia solar de ponta nesta semana, reforçando o domínio sobre o setor.