O Ministério do Comércio da China propôs, na sexta-feira (16), controles de exportação sobre 12 tecnologias usadas na fabricação de equipamentos solares, citando segurança nacional. A medida integra uma revisão mais ampla, com 40 tecnologias visadas, que também abrange inteligência artificial e biotecnologia.
Segundo o ministério, as tecnologias fotovoltaicas vêm sendo cada vez mais usadas em áreas sensíveis, como a aeroespacial e a de defesa nacional. Isso justificaria, na avaliação do governo chinês, maior supervisão sobre elas.
A consulta pública sobre a proposta termina em 15 de novembro. Até lá, exportadores já precisam registrar transferências de tecnologia visadas, enquanto o catálogo de controle não é formalmente atualizado.
As tecnologias afetadas incluem a fabricação de lâminas ultrafinas, células solares de perovskita e células tandem, que combinam perovskita e silício para captar mais luz.
Também entra a produção de polissilício por leito fluidizado, processo mais barato e eficiente que o método Siemens, hoje predominante. A China restringiria, mas não proibiria, tecnologias avançadas como o TOPCon.
"As restrições às exportações visam prevenir os riscos de que as tecnologias saiam de controle ou sejam disseminadas de forma inadequada, ao mesmo tempo em que se preservam os intercâmbios internacionais e a cooperação em ciência e tecnologia", afirmou o Ministério do Comércio chinês.
O que muda para o Brasil?
Para o Brasil, o impacto imediato é limitado. A proposta mira tecnologia de fabricação de ponta, como perovskita e tandem, não os módulos comerciais padrão que o país importa hoje em massa.
Publicidade
A medida afeta a próxima geração de painéis solares, não o equipamento que chega às usinas brasileiras agora.
O recorte importa porque o Brasil é o maior comprador global de painéis solares chineses. Segundo levantamento do Poder360, 98% a 99% dos módulos solares importados pelo país vêm da China, incluindo 95% das células usadas na montagem.
O país investiu nos últimos anos em incentivos para a instalação de energia solar, o que ampliou a dependência do fornecimento chinês de equipamentos.
Essas compras vêm caindo por outro motivo: tarifas e o fim de subsídio chinês à exportação. Nos primeiros nove meses de 2026, as importações brasileiras de painéis chineses recuaram 33,3% em valor, para US$ 747 milhões, e 40% em peso.
Foi no mesmo período em que a exportação da China para o Brasil bateu recorde em outros setores, como a soja.
A proposta chinesa segue a mesma lógica que levou Pequim a restringir a exportação de terras raras a empresas americanas, em junho: controlar insumos considerados estratégicos.
A China também já restringiu a tecnologia de fabricação de equipamentos solares para a Índia, que tenta reduzir a dependência do fornecedor chinês.
O que acontece agora
A consulta pública sobre a proposta termina em 15 de novembro. Até lá, o Ministério do Comércio da China recebe contribuições antes de formalizar o catálogo atualizado de controle de exportação.
A medida também pode pressionar planos de empresas estrangeiras, como a Tesla, de ampliar a produção de equipamentos solares dentro do território chinês.





























