O comércio entre Brasil e China somou US$ 143 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, recorde para o período, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). As exportações de petróleo brasileiro puxaram o resultado, enquanto as importações foram impulsionadas pela compra de veículos eletrificados chineses.
A soja é o carro-chefe da relação agrícola. O Brasil respondeu por 78,33% das compras chinesas de soja em 2026, cerca de 80 milhões de toneladas de um total de 102 milhões importados pela China, segundo levantamento da CNN Brasil.
O país asiático já cobriu 93,6% da necessidade estimada para o ciclo 2025/26. A China pré-comprou 9,04 milhões de toneladas da safra brasileira 2026/27.
No mesmo período do ano passado, o volume antecipado era de apenas 1,7% do total. As exportações de soja do Brasil cresceram 12,5% no primeiro semestre de 2026 ante igual intervalo de 2025, de 65 milhões para 74 milhões de toneladas.
"A China comprou os 12 milhões de toneladas comprometidos no acordo com os Estados Unidos para a safra atual. O Brasil ganhou força na sequência", afirma Yedda Monteiro, analista da Biond Agro.
Segundo ela, o movimento chinês levanta dúvidas sobre o cumprimento das 25 milhões de toneladas previstas no acordo bilateral entre China e EUA.
O risco da concentração em um só comprador
A China respondeu por 28% das exportações brasileiras e comprou US$ 99,9 bilhões em produtos do país em 2025. Depender de um único comprador para fatia tão grande das vendas deixa o Brasil vulnerável a desacelerações da economia chinesa.
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Soja, petróleo bruto e minério de ferro somaram cerca de US$ 74 bilhões em vendas à China em 2025, quase três quartos de tudo o que o Brasil exportou ao país.
Para os especialistas consultados, o padrão reforça a reprimarização da pauta exportadora: o Brasil vende commodities e importa bens industriais cada vez mais sofisticados, em um ciclo de baixo ganho de produtividade.
O resultado positivo em setembro confirma uma tendência que já aparecia na balança comercial brasileira, que soma US$ 59,6 bilhões no ano e testa a meta oficial de superávit.
A disputa comercial entre Pequim e Washington também pesa no cálculo. Na semana passada, a China chegou a reduzir a importação de soja em 7,7% em meio à queda de braço tarifária com o Brasil.
Mesmo assim, a tarifa cobrada sobre a soja americana ainda favorece o produto brasileiro, segundo analistas do setor, mesmo com a retomada de compras chinesas aos Estados Unidos.
O mercado de DDG (grão seco de destilaria) e de sorgo também abriu para o Brasil neste ano, ampliando as opções de produtos agrícolas vendidos aos chineses além da soja, do petróleo e do minério de ferro.





























