A China comprou entre 8 e 10 cargas de soja dos Estados Unidos nesta semana, as primeiras desde a cúpula entre Trump e Xi Jinping em setembro. A soja americana paga tarifa de 13% na China; a brasileira, só 3%.
Cada carga é do tipo Panamax, com cerca de 65 mil toneladas, e o embarque está previsto a partir de dezembro, segundo a Forbes Brasil. Os compradores chineses pagaram prêmio de US$ 3,10 a US$ 3,20 por bushel sobre o preço de referência em Chicago.
A Casa Branca fixou meta de 25 milhões de toneladas compradas pela China nesta safra. Antes desta semana, o país havia adquirido 13,7 milhões de toneladas dos Estados Unidos. A meta segue distante.
Por que a soja americana ainda paga mais imposto na China?
A soja dos Estados Unidos paga tarifa adicional de 10% somada à tarifa padrão chinesa de 3%, o que totaliza 13% na entrada do país asiático. A soja brasileira entra com a mesma tarifa padrão, de apenas 3%, sem nenhuma sobretaxa, segundo a CNN Brasil.
Depois da cúpula entre Trump e Xi Jinping, em 28 de setembro, os dois países anunciaram um pacote de US$ 60 bilhões em reduções tarifárias recíprocas, cobrindo milho, trigo, sorgo, óleos vegetais, farelo de soja, carne e lácteos. A soja ficou de fora da lista.
O custo de desembarque da soja brasileira na China gira em torno de US$ 595 por tonelada sem tarifas adicionais. Esse valor já deixa as usinas privadas chinesas com margem negativa quando tentam importar o produto americano, mesmo sem a tarifa extra.
O Brasil respondeu por 73,6% do mercado chinês de soja em 2025, ante 71% em 2024, segundo a Forbes Brasil. O país deve embarcar recorde de até 116,3 milhões de toneladas em 2026, conforme a Conab.
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"2025 foi extremamente favorável à soja brasileira, que ganhou espaço no mercado chinês e registrou recorde de exportações", afirma Rafael Silveira, analista da consultoria Safras & Mercado.
Segundo ele, o Brasil enviou mais de 82 milhões de toneladas aos portos chineses até novembro do ano passado, alta de 16% sobre 2024.
A disputa é um capítulo de uma novela que já dura meses.
Na semana passada, a China havia reduzido a importação de soja em 7,7%, em meio à troca de acusações entre Brasília e Washington.
Em setembro, quando Pequim retomou as compras dos EUA pela primeira vez, a exportação brasileira já havia encolhido na mesma proporção.
O movimento ocorre no mesmo dia em que a China divulgou recorde nas próprias exportações, dado que, segundo a mesma reportagem, beneficia a soja mas pressiona a indústria doméstica brasileira.
O que acontece agora
Os embarques das novas cargas americanas começam em dezembro, enquanto o Brasil colhe a safra recorde, estimada pela Conab entre 177,85 milhões e 180 milhões de toneladas de soja. Compradores chineses já garantiram 9 milhões de toneladas da safra 2026/2027, 8,2% de cobertura antecipada.
Com as novas cargas, a China soma cerca de 14,3 milhões de toneladas compradas dos Estados Unidos nesta safra. A tarifa que favorece o Brasil, até agora, não deu sinal de mudança.





























