O FMI (Fundo Monetário Internacional) cobrou nesta quarta-feira (14) consolidação fiscal urgente das grandes economias, alertando que os mercados financeiros podem forçar os governos a agir antes que eles mesmos decidam. O alerta ocorre em meio à disparada dos rendimentos de títulos soberanos no mundo.

Sabemos que os pontos de inflexão são desconhecidos, mas quanto mais se espera, maior o risco de já termos atingido um ponto de inflexão.

A frase é do diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, Rodrigo Valdés, dita em painel nas reuniões anuais do Fundo e do Banco Mundial em Bangcoc.

Por que o FMI mudou o tom agora?

Segundo o FMI, os juros mais altos deixaram de ser risco e "se materializaram", elevando o custo da dívida aos maiores níveis desde os anos 1990 em diversas economias. Parte da pressão vem de empresas do boom de inteligência artificial.

Essas empresas competem com os próprios governos pelo dinheiro disponível no mercado financeiro mundial, segundo o Fundo, o que ajuda a explicar a alta dos juros mesmo em países considerados estáveis.

Isso afeta o Brasil?

Na véspera, o FMI já havia elevado a previsão global, mas reduzido a do Brasil e da China, no mesmo relatório que embasa o alerta desta quarta. O ministro Dario Durigan fez diagnóstico parecido em julho.

Segundo ele, juros altos prejudicam a economia e elevam a dívida pública brasileira. A dívida federal já subiu mesmo com o governo pagando mais do que tomou emprestado em julho.

O ponto em aberto

O FMI recomenda elevar receitas, racionalizar gastos e focar o apoio nos mais vulneráveis, mas não detalha quais países considera mais perto do "ponto de inflexão" que cita. A dúvida que fica é se o Brasil está entre eles.