O volume de serviços no Brasil caiu 0,1% em agosto ante julho, informou o IBGE nesta quarta-feira (14), abaixo da previsão de alta de 0,4% dos economistas consultados pela Reuters. Na comparação com agosto de 2025, o setor ainda cresceu 0,6%, 29º resultado positivo seguido.

A queda mensal foi puxada por três das cinco atividades pesquisadas pelo IBGE: outros serviços (-1,0%), transportes (-0,2%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,2%).

Por que o resultado frustrou o mercado?

A mediana das projeções apontava alta de 0,4% no mês e de 1,1% na comparação anual. O resultado de 0,6% em 12 meses ficou bem abaixo do esperado pelos economistas consultados pela Reuters.

O setor está 19,9% acima do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020, mas 0,3% abaixo do recorde da série histórica, de outubro de 2025.

Duas economias dentro do mesmo setor?

Os serviços prestados a empresas recuaram em agosto. Já os serviços prestados às famílias brasileiras tiveram o 2º avanço mensal seguido, de 2,1%, com ganho acumulado de 2,9% em dois meses.

Enquanto a ponta que depende de empresas perdeu fôlego, a ponta que depende do consumo das famílias seguiu crescendo. O descompasso ajuda a explicar por que o resultado geral ficou abaixo do esperado.

Na comparação anual, o destaque foi informação e comunicação, com alta de 4,3%, puxada por telecomunicações e consultoria em tecnologia.

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Os serviços às famílias subiram 4,4% no mesmo comparativo, impulsionados por locação de automóveis e vigilância e segurança privada.

Não é a primeira vez neste ano que o setor decepciona: em maio, o IBGE já havia registrado uma queda de 0,4% nos serviços, e um especialista avaliou na época que o resultado indicava desaceleração do PIB.

O PIB do primeiro trimestre de 2026 já havia crescido só 1,1%, puxado pela agropecuária, não pelos serviços.

O ponto em aberto

O IBGE não detalha, no comunicado desta quarta, se a diferença entre serviços a empresas e a famílias é pontual ou vira tendência.

O setor acumula alta de 1,7% no ano, abaixo do ritmo dos últimos 29 meses de comparações positivas. A dúvida que fica é se agosto marca uma desaceleração mais ampla ou só um mês fraco isolado.