A Rússia retomou nesta terça-feira (13) os embarques de diesel russo a partir do porto de Primorsk, no Báltico, após acordo com os Estados Unidos. Segundo a LSEG, o primeiro navio-tanque carregou cerca de 40 mil toneladas rumo ao Marrocos.
O carregamento ocorre dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que a Rússia aceitou fornecer diesel aos mercados globais. Washington suspendeu temporariamente as sanções contra o combustível russo.
Moscou já havia liberado parcialmente as exportações a partir de 10 de outubro. Segundo o vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak, a Rússia poderá elevar os embarques para entre 3 milhões e 3,5 milhões de toneladas por mês até o fim do ano.
Esse é o volume habitual do país antes do aperto, segundo Novak, que fez a projeção nesta segunda-feira (12).
Não vejo nenhuma conexão direta aqui. Trata-se, na verdade, de uma área de cooperação russo-americana altamente benéfica para ambas as partes. Isso atende aos interesses dos Estados Unidos, dos mercados globais de energia e da Federação Russa. É por isso que está acontecendo.
A avaliação é do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em coletiva diária com jornalistas nesta terça-feira (13), negando relação entre o acordo e as negociações de paz com a Ucrânia. Peskov chamou as críticas europeias ao acordo de "cínicas".
O que muda para o Brasil
O Brasil sente o efeito porque é um dos maiores compradores do diesel russo. Dados de monitoramento marítimo citados pelo Brazil Journal mostram que o produto da Rússia respondeu por 17% das importações brasileiras de diesel em julho, ante 64% em junho.
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No mesmo período, os Estados Unidos saltaram de 36% para 78% das importações, e a Índia passou a fornecer 5% do diesel comprado pelo Brasil.
No país, o combustível já ficou mais caro: o preço médio do diesel subiu 7% em um mês e chegou a R$ 7,35 no litro em outubro.
A inversão marca o fim dos descontos que atraíam o Brasil ao diesel russo desde 2023, à medida que o aumento da demanda global, em meio às tensões no Oriente Médio, encareceu o produto.
A dependência do diesel russo havia disparado meses antes. Entre fevereiro e abril, as compras mensais do Brasil subiram de US$ 433,22 milhões para quase US$ 1 bilhão, impulsionadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz, em março.
O fechamento, motivado pelo conflito no Oriente Médio, suspendeu outras rotas de importação. Em abril, a Rússia chegou a responder por quase 90% do diesel comprado pelo Brasil no mês.
Em maio, o governo brasileiro havia anunciado cerca de R$ 40 bilhões em medidas de alívio — subsídios, zeramento de tributos federais e redução do ICMS — para conter o impacto da alta sobre o combustível no país.
O que acontece agora
Novak projeta que as exportações russas de diesel voltem ao volume normal, entre 3 milhões e 3,5 milhões de toneladas por mês, até o fim do ano.
Na semana passada, Trump previu queda no preço do combustível com a retomada dos embarques. Ainda não há data para a fatia russa nas importações brasileiras voltar a subir.





























