O FMI elevou a previsão de crescimento da economia mundial para 3,1% em 2026, mas cortou a do Brasil, de 2,4% para 2,2%, e a da China, de 4,6% para 4,5%. O relatório, divulgado nesta segunda (12), inverte a expectativa de três meses atrás.
Para 2027, a previsão do Brasil caiu de 2,2% para 1,9%. Segundo o FMI, a perda de ritmo reflete juros ainda restritivos, a retirada de suporte fiscal e a incerteza global.
A projeção do Brasil fica abaixo da média da América Latina e Caribe, que o FMI vê crescendo 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027; a região acelera, e o Brasil desacelera.
Por que as estimativas do Brasil divergem tanto?
A nova conta do FMI para 2026 (2,2%) fica levemente acima do Boletim Macrofiscal do Ministério da Fazenda, que projeta 2%. O Banco Mundial foi na direção oposta: subiu a estimativa de 2026, de 1,9% para 2,1%, e cortou a de 2027.
Há três meses, o próprio FMI tinha elevado a previsão do Brasil para 2,4%, citando outro cenário de riscos.
A diferença também aparece internamente: a própria Fazenda já havia cortado sua projeção para o PIB de 2026.
Uma semana antes do novo relatório do FMI, o Banco Mundial tinha elevado a projeção do Brasil e cortado a da Argentina.
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O que explica a resiliência global?
A economista-chefe do FMI, Silvana Tenreyro, atribui a resiliência a mercados de trabalho robustos, mesmo após pandemia, guerra na Ucrânia e conflito no Oriente Médio. "A economia global poderá, em breve, testar os limites de sua resiliência", disse ela, citando a dívida pública recorde.
O crescimento também ficou mais concentrado: só 32 economias respondem hoje por 95% da expansão mundial, contra 54 num levantamento anterior do FMI, puxadas pelo boom de investimento em inteligência artificial.
Por que o Brasil cresce menos que a vizinhança
O FMI já mudou de opinião sobre o Brasil duas vezes em 3 meses, e Banco Mundial e Fazenda calculam números diferentes para o mesmo ano. Fica em aberto se o país vai estabilizar perto do piso, 1,9%, ou do teto regional, 2,5%.





























