O presidente-executivo do Deutsche Bank, Christian Sewing, afirmou que o avanço de partidos de extremos políticos nas eleições estaduais da Alemanha pode afastar investidores estrangeiros. Na mesma semana, o risco-país do Brasil, medido pelo CDS de 5 anos, caiu ao menor nível desde 2020.

"Isso representa um risco significativo para a Alemanha e não deve ser minimizado", disse Sewing, em entrevista ao jornal Bild, após o avanço da AfD, de direita, e do partido A Esquerda nas eleições estaduais de setembro.

O país vive um temor político mais antigo. É o medo de repetir as divisões que levaram à queda da República de Weimar, há quase um século.

Na Saxônia-Anhalt, a AfD ficou perto da maioria absoluta no Parlamento estadual; duas semanas depois, terminou em 1º lugar em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Em Berlim, o partido A Esquerda venceu a eleição municipal prometendo expropriar imóveis de empresas para conter o custo da moradia.

"Não se pode esperar que um investidor estrangeiro faça imediatamente uma distinção entre um governo estadual e a Alemanha como um todo", disse o banqueiro. "Isso é visto como a Alemanha como um todo."

No Brasil, o mesmo tipo de leitura de mercado produziu o efeito oposto. O risco-país, que funciona como um seguro contra calote da dívida soberana, caiu a 110 pontos na sexta-feira (9).

É o menor nível desde fevereiro de 2020, atingido depois do 1º turno das eleições, com Flávio Bolsonaro à frente e um Congresso mais conservador eleito.

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Segundo o mercado, a expectativa é que um eventual governo de Flávio adote medidas de contenção de gastos e estabilização da dívida pública. Na semana, o Ibovespa subiu 8,82% e o dólar caiu 4,40%, cotado a R$ 4,98.

Um leilão de títulos públicos captou R$ 33,3 bilhões na mesma semana, segundo reportagem da TV Sim Brasil sobre o indicador.

O Brasil perdeu o grau de investimentos em 2015 e 2016, na crise fiscal, e segue dois níveis abaixo do México. A Embraer já recuperou terreno antes do país, com upgrade de rating na Fitch em setembro.

Sewing pediu que o governo do chanceler Friedrich Merz continue as reformas econômicas, chamando o fortalecimento da economia de "a única resposta que temos aos extremistas de extrema-direita e de extrema-esquerda neste país".

O que o mercado está precificando

Nos dois países, o alvo do capital não é a ideologia de um partido, mas a previsibilidade das regras do jogo.

Na Alemanha, o temor é que o avanço dos extremos trave reformas e afaste capital qualificado. No Brasil, a aposta é que o resultado das urnas abra caminho para ajuste fiscal.

O ponto em aberto

O CDS de 110 pontos ainda está acima dos 93 pontos de fevereiro de 2020, e o Brasil segue dois níveis abaixo do grau de investimento que o México já tem.

A queda desta semana mostra que o mercado reage rápido a sinais políticos. A pergunta que fica é se o movimento se sustenta até o 2º turno, em 25 de outubro, ou se é só uma reação de curto prazo.